SÃO PAULO - O documentário "América do Norte" estreia hoje no Discovery mostrando aspectos do continente pouco vistos na TV. É o resultado de um trabalho de mais de três anos, que incluiu viagens por dez países e captação de imagens com 11 tipos diferentes de câmeras. No Brasil, a narração é do cantor Seu Jorge.

A vida dos animais e a natureza são o foco da atração, que tem sete episódios. Na estreia, especialmente, haverá capítulo duplo, com duas horas de duração. A série é assinada pela produtora inglesa Silverback Films.

Os números da produção são expressivos: foram 2.830 dias de filmagens divididas em 250 expedições, que captaram mais de 850 horas de imagens em alta definição. Para registrar tornados, por exemplo, a equipe percorreu mais de 22.400 quilômetros.

O investimento em tecnologia fez diferença no resultado. Imagens como a de uma ave em pleno voo, sob a ótica que seria de um outro pássaro a seu lado, de peixes depositando ovas em um rio e de uma mãe urso dentro de uma casca de árvore amamentando seu bebê impressionam pela riqueza de detalhes.

Quem puder assistir "América do Norte" em TV HD verá o melhor da série.

Desafio

Seu Jorge empresta a voz para um texto que permite até algumas gracinhas, como na cena que mostra dois pássaros cortejando fêmeas, com uma dança divertida e acrobática de saltos alternados sobre um galho. "Elas só escolhem machos habilidosos e elas já viram coisa melhor", diz Seu Jorge.

Apenas o mais velho terá o direito de ficar com a fêmea, e o mais novo poderá esperar até dez anos para ter sua vez. Quando o macho finalmente consegue conquistá-la, a cópula dura coisa de dois segundos.

Seu Jorge disse à Folha de S.Paulo que o grande desafio de fazer essa narrativa --uma novidade em sua carreira de cantor e ator- foi se manter calmo. "Você sempre fica nervoso porque é muito sério ter de transmitir toda aquela emoção que tem no conteúdo das imagens". O trabalho foi realizado durante seis dias, em jornadas de aproximadamente dez horas.

O cantor, que ainda não tinha visto o resultado na tela, diz que ficou emocionado com o que assistiu durante as gravações. "Como eles conseguem registrar esses momentos tão peculiares, tão particulares, como o nascimento de um animal, o surgimento de uma estação? E o tempo que leva para acompanhar tudo? Isso que me deixa interessado e curioso para ver", diz.

Aventura

A equipe de "América do Norte" viveu alguns apuros para captar as imagens. Os que estavam em Labrador, no Canadá, por exemplo, acordaram de madrugada com o barulho de um urso polar esmurrando a porta do acampamento. O estrago só foi visto no dia seguinte: o helicóptero teve os vidros laterais quebrados, os bancos rasgados e equipamentos de filmagem pisoteados.

Outros profissionais incumbidos de filmar leões da montanha tiveram de caminhar mais de 640 quilômetros durante três semanas com neve até os joelhos. Quando finalmente conseguiram encontrar o animal, a câmera falhou, por causa da temperatura abaixo de zero.

NA TV
América do Norte
Estreia da série
QUANDO Domingo, às 21h40, no Discovery
CLASSIFICAÇÃO não informada