Os melhores filmes de terror são aqueles que extrapolam o sobrenatural e a carga de violência presentes no gênero, apontando para o horror instalado em nosso cotidiano. O novo capítulo da franquia “Halloween” segue a receita.

Em cartaz nos cinemas, “Halloween Kills– O Terror Continua” chega a essa proposta ao reverenciar o passado da série, iniciada em 1978, e dar continuidade à trama do filme anterior, lançado em 2018, retomando a história onde ela parou.

Jamie Lee Curtis, na pele de Laurie Strode, ainda está na caçamba de uma pick-up, ao lado de filha e neta, com um corte profundo no abdômen, quando Michael Myers continua a fazer vítimas pela cidade de Haddonfield.

A sensação, para o espectador, é de um esforço sem fim, com Myers se transformando num produto da própria sociedade, alimentando-se do ódio crescente atual, como Laurie deixa claro em sua desalentadora narração.

Enquanto ela teoriza sobre a imortalidade do serial killer, uma multidão irada tenta matar o homem mascarado após ter eliminado o suspeito errado numa das melhores cenas de “O Terror Continua”.

Enfurecida e ávida por vingança, a turba promove o caos num hospital para onde as vítimas estão sendo encaminhadas. Policiais e médicos se mostram incapazes de contê-los, como se fossem zumbis sedentos de sangue.

Alguns dos líderes desta revolta são sobreviventes de ataques e que, marcados pelos acontecimentos, fizeram de Myers uma figura de culto às avessas. É quando o filme aproveita para criar um elo com a produção inaugural.

Série já tem continuação prevista para 2022, que fechará trilogia assinada por David Gordon Green

Dos créditos à estética setentista, passando pela indefectível trilha sonora, não faltam referências ao “Halloween” dirigido por John Carpenter. O prato principal é a retomada do tom crítico que marca a obra do realizador.

É o que leva “O Terror Continua” a ocupar o pódio dos melhores títulos entre os 11 já feitos com o assassino. Myers já não é mais a representação única e misteriosa do Mal. É o reflexo de algo maior e complexo de mensurar.

Neste sentido, Laurie cada vez mais se torna uma Sarah Connor, a mãe que vira revolucionária para proteger o filho que ainda está para nascer na ficção-científica “O Exterminador do Futuro”. Também está à espera do fim dos tempos.

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Ex-secretária de cultura de BH ajudou a criar o FIT e o FAN