Movimento? Nada disso. Para o compositor Márcio Borges, um dos fundadores do Clube da Esquina, a reunião de nomes como Milton Nascimento, Toninho Horta, Wagner Tiso, Beto Guedes, Flávio Venturini, Tavinho Moura e do irmão Lô Borges, na Belo Horizonte da década de 1960, tinha como base a amizade. “O que houve foi uma enturmação de juventude. “Eram todos jovens, músicos e disponíveis. Estávamos dispostos a ser músicos e amigos e repartir um prato de comida, as experiências, os filmes. Foi absolutamente informal”, recorda um dos grandes letristas da MPB.

Apesar de hoje, aos 78 anos, Márcio Borges enxergar na cidade que tanto lhe inspirou musicalmente como um “retrato na parede”, completamente dedicado ao seu “paraíso” localizado em Bocaina de Minas, na Serra da Mantiqueira, as histórias que pautaram os encontros de juventude não saem da memória. Prova disso é o programa “Centenas & Dezenas”, cuja estreia se dará neste sábado, às 18h, no canal do Bar do Museu do Clube da Esquina no YouTube.

“É um programa de memórias afetivas e de música. A ideia é falar de música, de cozinha, da sentimentalidade, das memórias de nossa querida BH, que gerou muita coisa bacana, tantos movimentos”, registra o anfitrião, que, numa primeira leva, fará três episódios. O título é uma referência “às centenas de composições feitas com dezenas de parceiros”. Dois deles serão entrevistados: Lô (no primeiro) e Tavinho Moura (terceiro).

“Chamei o Lô, que é meu principal parceiro. O primeiro foi o Milton, que mudou o rumo da minha vida. A gente influenciou muito o Lô, que era dez anos mais novo que o Bituca e seis  mais novo do que eu. Com o Lô, eu fiz boa parte de minhas músicas.  Só com ele eu tenho mais de 100 canções”, assinala.

No segundo episódio, que irá ao ar no dai 15 de agosto, Márcio participarão de um tour virtual por BH para falar sobre os locais que tiveram grande importância na vida dos artistas do Clube da Esquina. “A começar pela própria esquina, no cruzamento das ruas Paraisópolis e Divinópolis, no Santa Tereza Tem as casas dos Brant, na  Getúlio Vargas com Contorno, e do Nivaldo Ornelas, no Nova Suissa. Sem falar no ponto dos músicos, em frente ao cinema Art Palácio, que a gente chamava de Art Barracão. É ali que a gente se encontrava após fechar os bailes da vida. Hoje não habito na cidade, mas ela habita em mim”.