Protagonista de “Depois a Louca Sou Eu”,  que estreia nesta quinta-feira nos cinemas, a atriz mineira Débora Falabella diferencia filme e livro (de mesmo nome, escrito por Tati Bernardi) a partir da presença do exagero.

“A Tati costuma definir o livro como um relato da vida sem exagero. No filme, que é uma história dramatizada em cima do que ela escreveu, tem o exagero como sinônimo do lúdico, do absurdo e do próprio cinema”, compara.

Apesar de o livro – reunião de textos selecionados e inéditos sobre a saúde mental – contar com momentos sarcásticos, o filme potencializa o humor no retrato de uma garota com crises de ansiedade.

“O filme trata destes problemas da mente, que antes eram abordados de uma maneira desinformada e preconceituosa, ao mesmo tempo que tem um pouco de comédia, mas sem forçar a graça”, observa Débora.

Para ela, por justamente mostrar com bastante franqueza os desdobramentos de quem vive lutando contra o próprio cérebro, “Depois a Louca Sou Eu” deverá provocar uma forte identificação com a geração dos millennials.

“Ele pega tanto essa geração na faixa dos 40 como também uma geração mais nova que vem passando por tudo isso. Quem assistir ao filme vai se identificar com uma situação parecida vivida pela personagem ou com algo que ela sente”, sublinha.

Na trama, cada etapa da vida se torna um grande sofrimento para a publicitária Dani, desde o primeiro contato com namorado até uma simples viagem para a praia, dificultando todas as suas relações, especialmente as amorosas.

Em algumas cenas, o longa dirigido por Julia Rezende pode ser lido como uma crítica à medicação exagerada de ansiolíticos e congêneres. “A gente vive num mundo em que muitas  coisas são receitadas o tempo inteiro. Por isso é preciso ter informação”.

O longa marca mais uma dobradinha de Débora com a atriz Yara de Novaes, que interpreta a mãe de Dani. “Apesar de ela nunca poder ser minha mãe, por causa da diferença de idade, ela tem um pouco esse papel na minha vida. A gente é muito próxima, tanto no trabalho como na vida”

Débora entende que cada pessoa passa por um processo diferente e o que é bom para um não será necessariamente a melhor opção para outro. “Tem gente que vai se tratar com terapias alternativas ou mergulhar na análise. Outros vão buscar a medicação”.

A atriz registra que “muitas das sensações que a Dani passa eu busquei em lugares meus”. E frisa que a autora do livro também foi uma inspiração, apesar de a “Dani ter outra energia, com uma personalidade diferente da Tati”.

Ela conta que, em nenhum momento, se viu diante da necessidade de fazer graça. “Até porque eu não tenho este domínio. Quando tinha que ir para o absurdo, enveredava para o extremo da emoção, do ridículo ou da falta de filtro. Fiz tudo ligado a verdade que encontrava na personagem”, revela.