Stephen King não perdeu a majestade. Após quase cinco décadas de produção literária direcionada para o terror, ele continua sendo o maior nome do gênero. O que explica a grande quantidade de filmes baseados em sua obra, muitos deles reunidos na mostra “Stephen King: o Medo é seu Melhor Companheiro”, com início nesta quinta-feira no Centro Cultural Banco do Brasil.

“Ele começou a publicar em 1973 e, a partir daí, vem moldando o que entendemos como terror no século 21. A influência dele entre os novos autores é imensa”, afirma a professora de cinema Rita Ribeiro, curadora da seleção ao lado de Breno Lira Gomes. Uma prova deste reinado contínuo é o fato de o cinema, vira e mexe, beber na fonte do mestre americano.

“Houve um boom destas adaptações no final dos anos 70, 90 e novamente agora, já incluindo adaptações para sites de streaming”, registra Rita, que não tem dúvidas sobre o que torna as histórias sobrenaturais de King tão especiais: os sustos são apenas a ponta do iceberg para tramas que enveredam por questões sociais importantes na atualidade.

“Ele tem uma forma diferente de escrever. Muito mais que um livro sobre monstros, King está falando sobre a natureza humana. Sobre aquele monstro que está escondido lá embaixo da nossa cama. Quem não conhece, pode ter um certo preconceito, mas basta uma lida para as pessoas dizerem: ‘Nossa, o que este cara está falando!’”, analisa a curadora.

Entre os temas abordados por King estão preconceito, assédio e bullying, tudo “presente nas entrelinhas”, segundo Rita. “Lembro quando falaram sobre ‘Christine’, eu pensei: ‘que coisa boba é essa, um carro assassino...’. Mas quando você acessa o livro, o que vemos é uma história de bullying. Ele prova que o terror pode ir muito além de somente assustar”, observa.

Rita tem todos os livros e filmes lançados no Brasil com a assinatura de King. Ela começou a acompanhar o trabalho do autor por sugestão de uma aluna. “Eu já conhecia ‘Conta Comigo’ e ‘Um Sonho de Liberdade’, mas foi ela quem me apresentou esta vertente de terror dele. O primeiro que li foi ‘Saco de Ossos’. Depois percorri todos os sebos em busca dos livros de King”.

A mostra ficará em cartaz até 22 de março, com a exibição de 52 títulos, entre longas-metragens, telefilmes e minisséries. As sessões irão acontecer de forma presencial e on-line, através da plataforma Darkflix, serviço de streaming do gênero fantástico. Para quem for ao CCBB, o ingresso custará R$ 10 e deverá ser retirado no site da Eventim. A exibição digital será gratuita.