A quantidade de #TBT lembrando carnavais passados tem sido enorme nos últimos dias. Sem a festa momesca propriamente dita, cancelada devido à pandemia, os foliões procuram outras formas de curtir em casa um período normalmente celebrado nas ruas, entre blocos e escolas de samba.

O aparelho de TV é uma das alternativas, aproveitando o cardápio de filmes disponíveis nas TVs por assinatura, sites de streaming e redes sociais. Para o último dia de festejo virtual, vale conferir alguns títulos, todos eles brasileiros – neste quesito, somos campeões desde que o cinema deixou de ser mudo.

Basta lembrar que os primeiros filmes de grande sucesso nas telonas tinham a festa como mote, entre eles “A Voz do Carnaval” (1933) e “Alô, Alô Carnaval” (1936). A ideia era misturar números musicais com uma pitada de humor ingênuo, o que gerou a chanchada, gênero que lançou nomes como Oscarito, Ankito e Grande Otelo.

No final da década de 50, quando a chanchada dava seus últimos suspiros, “Orfeu Negro” abordou o Carnaval na forma de uma tragédia grega, baseando-se numa peça de Vinicius de Moraes. O elenco é totalmente nacional, mas a produção é internacional, envolvendo França, Itália e Brasil.

“Orfeu Negro”, que ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro (caiu na conta francesa), teve uma refilmagem em 1999, pelas mãos de Cacá Diegues. A história de amor entre Orfeu e Eurídice foi personificada por Toni Garrido – então vocalista do Cidade Negra –e Patrícia França, com direito à trilha sonora de Caetano Veloso.

O Carnaval do Rio de Janeiro continuou dando as cartas em filmes como “A Lira do Delírio (1978), de Walter Lima Jr., que conta com músicas originais de Paulo Moura, e “Trinta” (2014), documentário sobre um dos mais famosos carnavalescos da Marquês de Sapucaí – Joãozinho Trinta, interpretado por Matheus Nachtergaele.

Com a desregionalização do cinema, outros Carnavais ganharam vez, especialmente os da Bahia e de Pernambuco. Um dos filmes mais conhecidos é “O Pai Ó” (2007), de Monique Gardenberg, que foca um animado cortiço de Salvador nos últimos dias de folia. No ano seguinte, virou série da Globo,  com dez episódios.