“O Juarez Moreira acha que roubei a banda dele”, comenta, aos risos, Toninho Horta, referindo-se à Orquestra Fantasma, grupo que acompanha o autor de “Manuel, o Audaz” desde 1981. 

De fato, os mesmos integrantes que estavam com Moreira – a flautista Lena Horta, o baixista Yuri Popoff, o pianista André Dequech e o baterista Neném – “gostaram tanto que acabaram ficando”, lembra Horta.

Mas não teria sido mesmo um “roubo”, no bom sentido da palavra? “É, acho que foi. Não tem outro termo para definir”, concorda Horta, entre mais risos. Nada, é bom que se diga, que tenha prejudicado uma bela amizade. 

Tanto que Moreira estará hoje no palco do Grande Teatro do Palácio das Artes como um dos convidados do show ‘Toninho Horta & Orquestra Fantasma”, realizado para celebrar o Grammy Latino recebido pelo álbum duplo “Belo Horizonte”.

“A gente foi tão agraciado que até o público virou fantasma”, diverte-se o compositor e músico. O espetáculo não terá plateia, sendo transmitido on-line e ao vivo pelo site da Fundação Clóvis Salgado a partir das 19h30.

Apesar de ter sido lançado em julho do ano passado, é apenas a segunda vez que o repertório ganha a forma de show. “Viajei muito, em seguida, e depois veio essa onda”, explica Horta, referindo-se à pandemia de coronavírus.

Ainda assim, da Orquestra Fantasma original só estará Lena Horta. Dequech está no Canadá e os outros dois com problemas de saúde. “Fizemos o melhor possível para registrar em vídeo o trabalho que competiu com algumas feras, como Caetano (Veloso) e Elza (Soares)”, afirma.

Foi a terceira indicação de Toninho Horta na categoria melhor álbum de MPB, a primeira em que ganhou. Em 2005, disputou com “Um Pé no Forró”, parceria com Dominguinhos, e perdeu para Gilberto Gil. Em 2011, entrou na briga com “Harmonia e Voz” e viu Ivan Lins levar o troféu.

“Belo Horizonte” é uma homenagem à cidade natal, à família e à música mineira. A partir de hoje, será disponibilizado um encarte de 64 páginas, com a história da Orquestra Fantasma e suas principais influências.

Em breve ele lançará um livro de 194 páginas sobre a história musical da capital mineira, passando por todas as fases. Os projetos de Toninho não param por aí. Atualmente ele costura a realização de curso de 40 horas sobre o repertório do Clube da Esquina, do qual foi um dos integrantes.

Ao mesmo tempo trabalha num lançamento mensal, em formato digital, com todo o seu repertório, dividido por décadas. O mais recente é “Durango Kid”, com 20 músicas dos anos 70.

“O mais interessante é que eles terão as partituras com os acordes completos. Não estarei escondendo nada para ninguém. Toda a harmonia original estará lá para quem quiser ver”, garante Horta.

O músico também prepara, para 2021, um álbum em que canta em inglês pela primeira vez. “São clássicos americanos, mas com meus arranjos e harmonia. A levada será brasileira, numa onda bossa nova e baladas de jazz”, adianta. 

Entre as músicas, “Smiles”, de Charles Chaplin, e “All of You”, de Cole Porter. “Será um disco muito leve. Tem a vibe do João Gilberto, com voz e violão na frente e uma orquestra por trás”, assinala.