Os fãs de rock – principalmente de heavy metal – não irão gostar de ver o gênero pintado de vilão na continuação “Trolls 2”, com pré-estreia a partir de amanhã nos cinemas, mas a mensagem final da animação é oportuna em tempos de intolerância: “A diferença é que nos torna forte”.

Especialmente na metade final, o filme apresenta questões de leituras raciais, étnicas e partidárias, dentro de uma linguagem mais infantil, valendo-se do universo da música, em que cada estilo – pop, techno, funk, clássico, country e rock – ganha uma cor diferente.

O uso do termo “harmonia” recebe um significado muito especial, como se a beleza da música (e da vida) fosse justamente ter essa pluralidade, como evidencia a cena em que os diferentes povos de trolls juntam as suas vozes e estilos numa mesma canção recheada de sentimento.

Um dos pontos interessantes é trazer à tona a ideia de como a história oficial é contada, sempre assumindo o ponto de vista do vencedor. Poppy, a rainha dos trolls da vila pop, descobrirá isso da pior maneira, se vendo obrigada a aprender a ouvir os outros pontos de vista.

Desafinações
A se lamentar a perda de uma grande oportunidade de o filme abordar, de maneira divertida e didática, a história da música. Neste sentido, na verdade, “Trolls 2” faz um desserviço, reforçando estereótipos. O rock vira o inimigo número 1 por conta dos cabelos espetados do metal.

Também pode-se discutir a escolha dos seis gêneros como representativos da essência da música. Por que o blues teria ficado de fora? Sem falar em outros que apareceram sob um viés mais jocoso, como o jazz suave e a música tirolesa (a única de caráter folclórico). 

A continuação tem evidentes problemas narrativos, como a primeira parte, que mais parece uma junção de videoclipes, apresentando sucessivamente hits pop de épocas diferentes, como “Gangnam Style”, de Psi, “Just Want to Have Fun”, de Cindy Lauper, e “Groove Is in the Heart”, do Deee-Lite.

E até o super colorido universo dos trolls, pensado principalmente para chamar a atenção das crianças pequenas, chega a ser excessivo, deixando de lado os detalhes que aproximariam mais das referências musicais e poderiam interessar a públicos de outras faixas etárias.