José Mojica Marins e Ivan Cardoso não estão sozinhos. Reverenciada como o que de que melhor se produziu no gênero de horror na história do cinema brasileiro, a dupla já tem a companhia de novos mestres, como aponta a mostra “MacaBRo – Horror Brasileiro Contemporâneo”, dedicada à safra mais recente de filmes capazes de pôr os cabelos em pé.

Com início hoje e promovida pelo Centro Cultural Banco do Brasil, a seleção reunirá 44 títulos, entre curtas e longas-metragens. As exibições acontecerão de forma gratuita e online, a partir da plataforma darkflix.com.br/macabro, serviço de streaming focado no cinema fantástico. Até o dia 23 de novembro, acontecerão ainda lives, debates e cursos.

“O horror sempre esteve presente no cinema brasileiro, embora nem sempre tenha sido identificado como tal, por vários motivos. Mas neste século houve um crescimento sem precedentes na produção do gênero”, observa Carlos Primati, um dos maiores especialistas em horror no país e curador da mostra, ao lado de Breno Lira Gomes.

Cada realizador tem a sua peculiaridade, destaca Primati, chamando a atenção para um cinema autoral. “É o que considero mais relevante no horror brasileiro, podendo ser essencialmente autoral num gênero em que normalmente enxergamos um cinema mais comercial, a partir da produção hollywoodiana”, compara o curador.

Como exemplo, ele cita Rodrigo Aragão, cujos filmes abordam tema da destruição da Natureza, porém narrados de maneira eletrizante e com inventivos efeitos especiais. Outros, aponta ele, se valem do horror para tratar de questões sociais, como Gabriela Amaral Almeida (“O Animal Cordial”), Marco Dutra e Juliana Rojas (“Trabalhar Cansa”).

O resultado é um trabalho que tem chamado a atenção da crítica e de pesquisadores. “Reconhecem ser um cinema interessante e muito peculiar, que naturalmente inspira e pede por um estudo mais cuidadoso. É um cinema fascinante, único, autoral, com muita personalidade e múltiplas possibilidades de representar o horror”, assinala Primati.