O apartheid – regime que separou brancos e negros por 48 anos na África do Sul – já rendeu bons dramas e thrillers de ação, especialmente sobre o líder rebelde Nelson Mandela, que assumiu a presidência do país africano após o fim do violento sistema racista. 

“Fuga de Pretória”, que estreia hoje no canal TNT (TV a cabo), traz uma abordagem diferente, ao mostrar a participação de brancos na luta anti-apartheid, a partir da história de Tim Jenkins, vivido por Daniel “Harry Potter” Radcliffe.

O filme promove o reencontro de dois nomes do elenco da franquia “Harry Potter”, com o “bruxinho” Daniel Radcliffe revendo Ian Hart, o professor Quirrell do primeiro filme da franquia 

Ele foi preso por fabricar bombas que “explodiam” panfletos nos centros das grandes cidades. O foco do filme não está, propriamente, em mostrar as motivações dele, falar de seu passado ou se aprofundar na questão racial.

Após uma breve introdução, com imagens fortes de negros torturados, a narrativa começa na prisão de Tim e seu amigo Stephen Lee. Como o título já deixa claro, o filme acompanhará a tentativa de fuga deles.

A estrutura dramática é muito semelhante a um clássico do sub-gênero, “Alcatraz – Fuga Impossível” (1979), protagonizado por Clint Eastwood, destacando-se as minúcias para a realização da ousada empreitada.

O filme transfere a questão da luta racial para a busca da liberdade dos dois jovens (um terceiro personagem se junta a eles), costurando a relação de prisioneiros e agentes penitenciários como ilustração da opressão do apartheid.

E é muito simbólico que a resolução aconteça a partir da escolha das chaves certas para abrir as portas da escuridão. Pena que essas leituras não ganham a profundidade que poderiam ter, em troca de uma produção esquemática.

Apesar de construir bem a sensação de claustrofobia, com a maioria das cenas acontecendo entre quatro paredes, o suspense é prejudicado por uma ideia de que o mal é burro e facilmente vencido por uma força mais inteligente.

Desta forma, o roteiro “rebaixa” os seguranças ao estereótipo do brutamonte sem cérebro e “eleva” o trio de protagonistas à condição de heróis muito antes de a ação se encerrar, tornando tudo muito previsível.

A maneira como eles encontram a rua de fora do presídio, a poucos metros de onde estavam encarcerados, poderia ter um melhor desenvolvimento, sem cessar o suspense, retomando a outra falta de liberdade – a política.

Neste momento tão capital, o diretor Francis Annan deixa a desejar na escolha dos enquadramentos e o filme parece querer chegar ao the end de maneira apressada.