A pandemia fez da tecnologia um grande substituto para várias questões do cotidiano. No caso da exposição “Björk Digital”, o caminho foi inverso. Recém-inaugurada no CCBB do Rio de Janeiro, em março, a mostra teve que ser fechada devido ao Covid-19. O aparato tecnológico, que propunha um mergulho no trabalho da cantora islandesa, ficou guardado até que, sem possibilidades de ser retomado, embarcou de volta a Londres.

“Seria impossível traduzir a experiência da exposição física para um ambiente on-line”, lamenta Lia Vissoto, diretora da mostra no Brasil. A programação, que teria como próximo destino o CCBB de Belo Horizonte, precisou ser completamente adaptada, como o público poderá ver a partir de hoje, no site da produtora. “O que fizemos foi tornar alguns conteúdos mais acessíveis”, explica.

São Paulo e Brasília conseguiram ver, em sua totalidade, a exposição, que nasceu em 2016 e já havia percorrido 14 cidades em várias partes do mundo. Nela se vê a forte conexão de Björk com as artes visuais e a tecnologia. Lia lembra que o visitante podia compor músicas ao lado da estrela e até participar de uma performance intimista dela numa praia do país natal.

“Björk e tecnologia sempre andaram muito juntas. Ela sempre se apropriou do novo com muita maestria e verdade. Um diferencial da exposição original era o fato daquele conteúdo expressar uma forma de sentimento, usando a tecnologia para tornar tudo aquilo mais emocionante”, assinala a diretora.

Lives e filtros
A proposta original contemplava quatro ambientes de realidade virtual com uso de óculos 3D. Cada um deles com 25 estações em que o público poderia permanecer por, no máximo, 20 minutos. Sem estes equipamentos, a mostra on-line ganhou lives, vídeos inéditos, filtros de Instagram e o catálogo original. 

As lives acontecerão nos dias 17 e 18, reunindo nomes como o diretor criativo da artista, James Merry, o músico e diretor de clipes Jesse Kanda e a cantora Linn da Quebrada. As conversas serão mediadas pela atriz Barbara Paz. Merry, por sinal, criou um novo filtro de Instagram, inspirado em máscara utilizada por Björk em seus espetáculos.

Anteriormente, Merry já havia criado, especialmente para o CCBB, dois filtros exclusivos de Instagram: “Medusa” (lançado em dezembro de 2019 na abertura da exposição no CCBB Brasília) e “Glaukopis” (em março de 2020, para o CCBB-RJ). Os três filtros estarão disponíveis a partir do site e no Instagram de Björk.