Em linha reta, Jacksonville fica a 3,5 mil quilômetros de Los Angeles, local do anúncio dos indicados ao Grammy Latino na última terça-feira. Não é o máximo que Fabio Mechetti quer chegar perto do troféu em forma de gramofone. Com casa em Jacksonville, cidade da costa leste dos Estados Unidos onde passa alguns meses do ano, ele entrou na disputa na categoria de melhor álbum de música clássica, como regente da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais.

O disco dedicado a Almeida Prado foi lançado em maio deste ano, reunindo três obras do compositor brasileiro, como parte do projeto “Brasil em Concerto”, que visa a divulgação da nossa música no exterior. “É sempre muito bom ser reconhecido pela comunidade artística internacional. A indicação vem justificar o trabalho que temos desenvolvido nestes anos todos, projetando o nome da orquestra e do Estado”, registra Mechetti.

De malas prontas para retornar ao Brasil, na segunda-feira, e retomar a condução dos concertos, o maestro ainda não se deteve na lista de concorrentes ao prêmio da categoria, mas destaca que a Filarmônica de Minas Gerais é a única orquestra presente. “Vi que tem algumas coisas de câmara e de sopro, mas foi só uma escaneada rápida”, salienta Mechetti, que, mesmo nos EUA, estava com os olhos (e ouvidos) atentos para a Sala Minas Gerais.

Pouco depois da entrevista ao Hoje em Dia, ele acompanhou pelo YouTube o ensaio dos músicos, que estavam sob a regência do assistente José Soares. Este deu início, na noite de quinta, à série “Maratona Beethoven”, celebrativa dos 250 anos do compositor alemão. No dia 10, a batuta já será de Mechetti, que receberá a soprano brasileira Camila Titinger e o ator Antonio Grassi, também diretor do Instituto Inhotim.

Na trave
No Grammy Latino, a orquestra mineira quase foi indicada em 2019, com um CD em homenagem a Alberto Nepomuceno, a primeira obra lançada dentro do projeto “Brasil em Concerto”. “Fomos considerados, mas não entramos na lista final”, lamenta. O disco foi eleito um dos melhores “novos álbuns de música clássica” da publicação inglesa “Gramophone”, que já dizia que “temos muito o esperar” sobre os próximos lançamentos.

Mechetti observa que o segundo trabalho não possui tanto apelo popular, por ser Almeida Prado um autor contemporâneo. “A música que está no disco não é necessariamente representativa do folclore latino-americano, sendo mais universal e de vanguarda. A indicação revela uma preocupação do pessoal do Grammy em ir além do conceito de música latino-americana como algo mais popularesco”.

O projeto previa a gravação de um terceiro álbum neste ano, mas acabou sendo adiado devido à pandemia. O regente adianta que, em 2021, Carlos Gomes – o mais importante compositor de ópera do país, autor de “O Guarani” – será a bola da vez. E, em seguida, Henrique Oswald. Ao todo, serão lançados 100 CDs, com a parceria da distribuidora internacional Naxos.