Após receber cerca de 160 mil pessoas em cinco anos de funcionamento, a casa de shows a Autêntica encerra as atividades com um "até logo". O fechamento se deve aos altos custos de manutenção do espaço durante a pandemia, como o pagamento de R$ 8 mil mensais de aluguel e os salários de oito funcionários.

A expectativa do proprietário e músico Leo Morais é de que possa reabrir em outro espaço no início de 2021, a depender da evolução do novo coronavírus na capital mineira. Não existe possibilidade de reabrir no mesmo endereço, na Rua Alagoas, na região da Savassi, já que os donos do imóvel pretendem construir um prédio no local.

"Sabíamos que um dia sairíamos dali. Isso quase aconteceu no início de 2020, mas os donos mudaram de ideia e conseguimos segurar por mais um ano. Mas aí veio a Covid e resolvemos entregar o imóvel. Não queríamos correr o risco de reabrir e ter que fechar novamente", salienta Moraes, que é sócio do empreendimento ao lado de Bernardo Dias.

A nova casa deverá sair das redondezas da Savassi para ocupar "outros lados da cidade", como as regiões Centro e Leste. "Além de os valores de aluguel não serem tão altos, tem a questão do momento da noite cultural de Belo Horizonte, em que a tendência do pessoal é ir para aqueles lados", explica o proprietário.

A dúvida dele é em relação ao tipo de casa que deverá oferecer, após a população vivenciar um período tão traumático em relação à segurança sanitária. "Algumas pessoas acham que a tendência será de espaços menores. Outras acham que não, que todo mundo estará sedento para sair de casa. Por isso, não vamos definir nada por enquanto".

A Autêntica fez história na noite belo-horizontina com um cardápio eclético de shows, recebendo 910 eventos e mais de mil artistas que iam do jazz ao hip hop. "Temos consciência que existe uma cena musical antes e depois d'A Autêntica. Quando a gente abriu, havia poucos espaços para música autoral, como Matriz e A Obra", registra Moraes.