“O ato do aqui e agora, o encontro do ator com o público naquele momento tão cheio de vida, é insubstituível. É a essência do teatro. E o teatro vive dessa chama fundamental”. A declaração do ator e fundador do Grupo Galpão, Eduardo Moreira, não apenas é cirúrgico e emblemático, como também enfatiza a saudade dos palcos e das apresentações ao vivo. Enquanto isso não acontece, em função da pandemia do novo coronavírus, ele e a companhia mineira seguem fazendo uso de meio virtual para divulgar sua arte e também propagar a história da instituição.

De quinta-feira (4) a domingo (7), sempre às 20h, será disponibilizado o filme “Éramos em Bando”, do Galpão, no canal da Fundação Municipal de Cultura no YouTube e nas redes sociais. A obra faz parte da programação semanal do Circuito em Casa.

Esse trabalho audiovisual é o processo de continuidade de ensaio do espetáculo “Quer Ver Escuta”, que teria sua estreia nacional em abril, mas acabou tendo a temporada adiada.

“E foi exatamente em um período de ensaio, durante umas três semanas, que a gente tentou dar continuidade ao processo de trabalho em sala, por meio de um aplicativo. Um espetáculo cuja matéria é a poesia contemporânea brasileira. Continuamos a trabalhar com essa poesia, fazendo exercício de relação de espaço usando o quadrado da tela”, explica Moreira.

Indagado se esta poderia ser uma tendência para próximos trabalhos do grupo, o ator acredita que seria “prematuro” afirmar qualquer coisa neste momento. “Talvez algumas pessoas resolvam trilhar por este caminho. Claro que essas mídias serão mais desenvolvidas e vão servir para algumas manifestações artísticas. Vamos ver o que o futuro nos reservará”, comenta.

Eduardo Moreira

Desafios

Mesmo em meio às incertezas e aos problemas vivenciados pela classe artística no país, Moreira ressalta que, neste momento, o Grupo Galpão se mantém ativo e cheio de projetos.

“As dificuldades têm sido enormes. O que a gente tem feito é tentar nos reunir (virtualmente) para discutir questões e desenvolver projetos, desde leitura de textos e trechos de peças do grupo até o Pausa para o Café, em que os atores contam casos e histórias curiosas sobre a história do Galpão. Há o projeto de Histórias da Pandemia, em que estamos fazendo uma campanha junto ao público para que mandem histórias para a gente. E também tem projetos de entrevistas, filmagens dos espetáculos e documentários da história do Galpão ao longo desses 37 anos”, diz.