No livro “Ideias Para Adiar o Fim do Mundo”, o escritor e ativista indígena e mineiro Ailton Krenak cunhou uma parábola atemporal, em que se faz necessário ao ser humano rever seus conceitos quanto à sua existência e sua relação com a natureza. Foi inspirado nessa ideia de “imaginar um mundo novo” que surgiu o Fotografias por Minas, iniciativa de caráter solidário a instituições sociais que vêm sofrendo os efeitos da pandemia do novo coronavírus.

Baseada em projetos com especialistas da área em Bérgamo, na Itália, nos Estados Unidos e em São Paulo, essa empreitada mineira, iniciada no dia 21 de maio e que vai até 12 junho, conta com 320 fotógrafos. Cada um deles disponibilizou uma imagem de sua autoria para doação, pelo valor de R$ 150, a ser realizada no site www.fotografiasporminas.com.br. 

“O projeto Fotografias por Minas se deu a partir do grupo ‘Fotógrafos pela Liberdade’, de 2018. Esse grupo manteve contato, e quando vimos a campanha que acontecia em São Paulo, de união de fotógrafos, juntando fundos para poder mitigar esses efeitos da Covid-19, nos unimos para fazer aqui (em Minas)”, afirma Júlia Pontés, uma das fotógrafas engajadas na campanha, que, como ela mesmo diz, “não tem dono e é feita totalmente de forma coletiva”.

“Foi uma caminhada que começou por meio da campanha boca a boca. Os fotógrafos que mandaram (uma imagem) dentro de um prazo, entraram na campanha. Infelizmente ficou muita gente de fora, não por conta de seleção, mas sim porque não conseguiu mandar a tempo ou não sabia (do projeto). Em outro momento, esperamos fazer uma segunda fase, o que seria outra possibilidade para mais deles participarem”, completa.

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Entre os participantes está o editor de fotografia do jornal Hoje em Dia, Wesley Rodrigues. "Achei uma iniciativa muito bacana. Temos que nos unir mesmo para ajudar quem mais necessita. Esperamos ter uma boa adesão de pessoas comprando as fotografias. Espero poder ajudar um pouco a quem mais necessita", destaca ele.

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As cinco primeiras entidades selecionadas para receber a arrecadação dessa iniciativa são Comunidade Geraiseira do Vale das Cancelas (região de Grão Mogol), Comunidade Quilombola Ausente Feliz (Serro), Creche Bom Pastor (Ibirité), Lar de Idosos Sagrada Família (Bonfim) e Proteção Animal Amigo Sem Dono (Ribeirão das Neves)

“Uma coisa que queríamos era descentralizar essa ajuda da região metropolitana de BH, queríamos alcançar distâncias territoriais em lugares muitas vezes ‘invisibilizados’ pela dificuldade de acesso, distancia da metrópole, diversas questões”, comenta Júlia.

Por fim, ela anseia que o projeto atinja a meta de R$ 60 mil de arrecadação. “Tem sido uma oportunidade incrível de encontrar pares e pessoas que pensam como a gente. É importante um pouco de abrigo em um mundo que está tão fragmentado, em que as relações ficaram extremamente debilitadas com a polarização que está acontecendo no nossos país”, conclui.