Uma imagem do Professor que não estávamos acostumados, em situação de grande desespero. Essa é a principal novidade da quarta temporada de "La Casa de Papel". Para quem se acostumou a enxergar no mentor do grande assalto uma espécie de Deus onipresente e onipotente, desta vez encontrará o protagonista em frangalhos, perdido e passando mais tempo fora do Quartel General, correndo de seus perseguidores ao lado da mulher Lisboa.

 

Nas duas primeiras temporadas, especialmente, o Professor vivido por Álvaro Morte tinha um caráter dúbio: meticuloso, com mente de enxadrista e respostas prontas para qualquer situação, ao mesmo tempo egocêntrico e vingativo - basta lembrar o que ele fez com o irmão André, expondo-o publicamente após este tê-lo desobedecido ao exigir a execução de um dos reféns. Agora, desde o primeiro momento, a insegurança e o medo surgem como grandes fantasmas.

 

Era saboroso acompanhar, no melhor estilo MacGyver, as soluções encontradas pelo Professor, que, na verdade, já tinha projetado todas as variantes, do melhor ao pior cenário. Quando esta centralidade desaparece, a série passa a exigir mais dos outros personagens, que, infelizmente, não conseguem responder à altura, já que assumem uma função reativa, especialmente os integrantes antigos do bando. Os novatos Marselha e Manila ainda conseguem exibir algo diferente.

 

O maior foco na ação - uma qualidade do terceiro ano - permanece, mas há um certo exagero na maneira como,  todo momento, a série volta ao passado para mostrar André, morto no final da segunda temporada. O personagem foi, sem dúvida, um dos destaques no primeiro assalto, muito por conta da atuação de Pedro Alonso. Mas, aparentemente, os produtores tentam, a todo custo, redefini-lo - antes um psicopata e estuprador para um bom vivant.

 

Estes flashbacks repetitivos ajudam a fazer desta quarta temporada uma mera ponte entre duas partes, já que a história não se fechou como na segunda. Ela perde de vista a construção da relação de amizade, estabelecida na terceira, para nos fazer mergulhar novamente em brigas internas, um capitão fora de si e perdas sofridas. E a reentrada de Arturo, o chefe da Casa da Moeda, é, definitivamente uma bola fora. Poderia ser qualquer outro a estar naquela função.

 

Com todas as pontas soltas deixadas para a temporada seguinte, o caminho mais óbvio parece ser a inserção do Professor junto aos seus comandados, sem ninguém para guiá-los do lado de fora. Vamos aguardar.