O fechamento ao público de bares, casas noturnas e restaurantes em Belo Horizonte e a orientação das autoridades médicas para que as pessoas fiquem em casa transformaram a internet na principal – talvez única – saída para que a interação não se perca. Para desanuviar a cabeça em tempos difíceis, muita gente tem usado a estratégia do “boteco on-line”: uma reunião virtual de amigos, cada um na própria casa, desfrutando uma cervejinha, um drink ou uma taça de vinho.

O historiador Igor Tadeu Rocha conta que os encontros via Skype têm sido bastante interessantes. No primeiro fim de semana da quarentena, uma conversa entre amigos de diferentes partes do mundo teve início às 20h e se estendeu até 4h da madrugada.

“Uma coisa legal foi que, nas duas vezes que fizemos os encontros, conversamos com um amigo nosso que está em Bilbao, na Espanha, e teve o Covid-19. Já está recuperado. E outra amiga que está nos Estados Unidos nos contou como tem sido o drama lá”, relatou Rocha.

A dificuldade em lidar com o confinamento e o medo da Covid-19 é tratada nas conversas, mas o historiador garante que o boteco on-line de seus amigos passa por vários outros assuntos: “Claro que comentamos sobre isso. Mas acaba sempre voltando nos assuntos que a gente comenta normalmente, quando a gente vai para uma mesa de bar não virtual”.

Encontrar os amigos pelo aplicativo House Party foi uma maneira que a administradora Mariana Barbosa encontrou para manter o bom humor em um momento tão atípico e complicado. “Conversamos sobre as dificuldades, sobre como cada um tem se virado nesse momento complicado, mas também relembramos casos antigos e divertidos nossos. Cada um com sua cerveja ou seu drink. Isso oferece uma sensação de proximidade”, conta.

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Boemia

Até mesmo Nenel Neto, criador do perfil Baixa Gastronomia e um dos boêmios mais famosos de BH, se rendeu à ideia do boteco on-line. Na terça-feira (31), dois amigos do Rio de Janeiro conectaram o influencer pelo WhatsApp e promoveram um encontro virtual.

“Ficamos os três bebendo e batendo papo. É uma forma de encontrar os amigos. Mas não é a mesma coisa nem jamais será, porque o balcão faz toda a diferença. Mas tem sido uma forma de suprir essa carência de ver os amigos e do balcão do butiquim”, conta Nenel.

O jornalista e músico Álvaro Castro conta que uma reunião virtual feita com dois amigos nesta semana foi fundamental para lidar com o confinamento. Especialmente porque ele mora sozinho. “Por mais que tenha contato com minha namorada e com colegas de trabalho de forma virtual, essa situação é ímpar e é bom ter um encontro mais relaxado com os amigos. O mineiro sente falta de sentar para tomar cerveja e falar bobagem”, conta.

Boteco em casa

Para ter bebidas e tira-gostos não é preciso sair de casa. Vários bares e restaurantes de Belo Horizonte estão fazendo entregas, inclusive de produtos congelados. No site www.fiqueemcasabh.com.br é possível ter informações sobre vários estabelecimentos que fazem delivery.

Aplicativos

Vários aplicativos e sites permitem encontros virtuais, além dos já tradicionais WhatsApp e Skype. Algumas opções interessantes são: Houseparty, Google Hangouts, Hangouts Meet e Microsoft Teams. 

De acordo com Daniela Queiroz, especialista em psicologia positiva, a interação humana é fundamental para a saúde mental de todos. “Interagir é fundamental para que a gente possa se conectar consigo mesmo, importante para ser compreendido, aceito, se sentir pertencente”, afirma a psicóloga.

Não só os adultos, mas as crianças também têm usado tecnologias para se interagir. “Nesta semana, minha filha viu os amigos da escola pelo Zoom e ela ficou muito empolgada. É como se ela tivesse dado uma abastecida de coisas boas. Fazer contato on-line tem sido bom para todos, especialmente aqueles que devem ficar isolados, como muitos médicos”, conta.