A semana é de celebração para o músico e compositor mineiro Toninho Horta, que comemora 50 anos de carreira com o lançamento, neste fim de semana, do álbum “Belo Horizonte”. Antes, porém, um dos grandes nomes do jazz no mundo, oriundo do movimento Clube da Esquina, ainda encontrou tempo para homenagear um velho amigo: o multi-instrumentista Hermeto Pascoal.

No estúdio A Trilha, no bairro Serra, zona sul de Belo Horizonte, ele era aguardado, na tarde de ontem, pelo diretor espanhol Cesar Romero e pela roteirista brasileira Adriana Cursino para gravar uma música em homenagem a Pascoal (provavelmente “Lembrando Hermeto”) como parte de um documentário sobre este “bruxo” que extrai de sons estranhos as suas maiores obras.

É neste momento de espera que o Hoje em Dia encontra a dupla de realizadores. Romero está preocupado com o horário. Afinal, tem voo marcado para a noite, em direção ao Rio de Janeiro. “É um projeto sobre Hermeto e poder contar com o Toninho é um luxo. Os dois trabalharam juntos em vários projetos. A música de Toninho é absolutamente universal, assim como a de Hermeto”, destaca Romero.

O diretor trabalha no mercado espanhol há 30 anos, mas é a primeira vez que comanda um documentário musical. Ele já tinha ouvido falar de Pascoal, mas foi após assistir, por indicação de Adriana, a um concerto em Madri, há três anos, que teve a dimensão exata de seu personagem: um gênio. “É um músico que tem uma faceta filosófica muito importante”, assinala Romero.

O filme, que tem o título provisório de “Hermeto – Correspondências”, será produzido por meio da Lei do Audiovisual – num custo total previsto de R$ 630 mil. Além de contar com imagens de arquivo inéditas e acompanhar o processo de criação deste alagoano de 83 anos, terá como ponto alto as correspondências musicais com diversos artistas no mundo.

Teorias

“Estamos trabalhando com músicos que têm uma relação de afinidade artística com o Hermeto no Brasil e no exterior, considerando que ele tem uma música universal. Ele é um artista tão grande, criador de diversas teorias (musicais), como o Calendário do Som e o Som da Aura”, adianta a brasileira, que é carioca de nascimento, tendo morado em Montes Claros por seis anos. Hoje dá aulas na Espanha.

A produção aguarda uma definição do cenário cinematográfico brasileiro, após o embargo que o Tribunal de Contas da União (TCU) impôs à Agência Nacional de Cinema (Ancine), devido a dúvidas na prestação de contas dos projetos. Recursos do exterior não estão descartados. “Apesar de ser um nome internacional, Hermeto é um artista brasileiro e o projeto tem essa identidade”, registra Adriana.

Por enquanto, a dupla tem se dedicado às pesquisas, especialmente em relação aos convidados. “São pessoas que falam o mesmo idioma de Hermeto, o da música universal, do fazer segundo a sua intuição e do estar conectado ao seu poder criativo. São músicos que podem nos dar elementos para que possamos construir uma história pautada pela inspiração”, salienta a brasileira.