Não precisou de mais que algumas horas até que os ingressos para a apresentação do grupo sul-coreano BTS, no próximo domingo em São Paulo, esgotassem. O mesmo aconteceu com o show extra, anunciado para suprir a altíssima demanda dos fãs. O rápido sold out, porém, é apenas uma das provas da força dos grupos de K-pop (como é conhecido o pop sul-coreano) na parte ocidental do mundo.

Foi do lado de cá, também, que o quarteto Blackpink consolidou o sucesso em um dos principais palcos do planeta: o festival Coachella da Califór-nia. Com dois shows, Jennie, Jisoo, Rosé e Lisa reafirmaram a potência da “onda coreana”, conquistando fãs ilustres, como Will Smith e Ariana Grande.

Mas a experiência promovida pelo gênero musical caracterizado pela grande variedade de elementos audiovisuais não se restringe às grandiosas apresentações dos grupos. Os aficionados têm papel fundamental na propagação e na promoção de eventos direcionados a esse tipo de música. 
Uma das iniciativas pioneiras em Belo Horizonte foi o Kpop MG. Criado em 2010 pela professora Micaela Amaral, de 25 anos, é uma comunidade de apaixonados pelo gênero –das músicas ao modo de se vestir, sem esquecer das coreografias bem marcadas. 

“Quando criei o grupo eu não conhecia ninguém que gostasse de K-pop também. Mas a partir dele consegui me juntar a algumas pessoas para promover o primeiro meeting de fãs”, lembra Micaela. 

No início ela precisou buscar fãs. Agora, é bem diferente. Desde o encontro inicial, há nove anos, o projeto só cresce em número de adeptos e de eventos – todos sem fins lucrativos e, alguns, solidários. “É uma forma de juntar algo que amamos para fazer o bem ao próximo também. É isso que me motiva a continuar a fazer os nossos encontros”, diz. 

O crescimento do Kpop MG também fica evidente nas redes sociais. No Facebook, o grupo que reúne fãs tem mais de 1.400 membros. 

Vivência
Nos eventos promovidos os fãs mergulham não só na música pop coreana, mas também reproduzem as elaboradas coreografias dos grupos mais famosos e buscam vivenciar a própria cultura e culinária daquele país. 

Produtor do Kpop Festival, que acontece desde 2017 na capital, Ado Silva Viana explica que há uma demanda cada vez maior por eventos que tragam um pouco da Coreia do Sul para o Brasil. 

“Além de organizarmos concurso de coreografias de covers, trazemos influenciadores para palestras e bate-papos”, diz ele. “Ainda abrimos espaço para vendas de produtos dessa temática e uma experiência gastronômica, para que o público se sinta um pouquinho na Coreia do Sul”, explica. 
Ado Silva crê que a demanda é justificada pelo próprio comportamento dos fãs. “Muita gente enxerga o K-pop como gênero musical, mas é também uma subcultura e um jeito de viver”, analisa. “Vemos nos eventos que o público é diferente. Busca ter vivência em comunidade, se encontrar com pessoas com o gosto em comum, mas também que pensem da mesma maneira”, acrescenta. 

No próximo sábado, no Centro de Referência da Juventude, em BH, acontece o 3º Showcase Kpop MG, um tributo aos grupos covers de Minas Gerais. Entrada franca.

Barreira do idioma coreano é superada com treino em vídeos assistidos repetidamente

Não é difícil encontrar fãs que consigam reproduzir “fielmente” as letras de canções como “Boy With Luv”, do BTS, “Hero” do Monsta X ou “Kill This Love”, do Blackpink. Embora os títulos das canções soem bem familiares, por estarem escritos em inglês, grande parte das músicas é cantada em coreano – idioma bem diferente do português e pouco difundido no país.

Apesar das várias diferenças que separam o idioma da Coreia do Sul da língua-mãe dos brasileiros, os aficionados pelo gênero musical encontram maneiras de aprender as canções. “O que mais nos ajuda nisso são os vídeos com legendas romanizadas, que transcrevem a escrita na língua coreana para a nossa escrita. Com isso, conseguimos treinar a pronúncia. É bem difícil, mas com o tempo o idioma deixa de ser empecilho. O que vale mesmo é o sentimento”, diz a fã Naiara Figueiredo, de 28 anos. 

A reprodução constante das canções é outro truque que pode facilitar o aprendizado. “De tanto escutar alguma música, você acaba aprendendo a cantá-la mesmo sem saber a língua”, afirma a jornalista Juliana Costa, de 26 anos. Fã de boy groups como JYJ, Got7, CNBLUE e Infinite, ela aponta que o carisma dos integrantes é fator que faz com que as diferenças no idioma deixem de ser uma barreira. “Os ídolos são muito gestuais, com um olhar e um sorriso já fica claro que eles querem nos fazer felizes”, acredita.

Tradução
Um fator que facilita a propagação e, também, a compreensão das músicas dos grupos de pop sul-coreano são as legendas em inglês, que atualmente tem acompanhado cada vez mais os lançamentos, aparecendo sempre nos videoclipes das canções. 
E quem já é fã há mais tempo também contribui providenciando legendas para conteúdo disponibilizado no YouTube.