“A idade está na cabeça, envelhece quem quer. Eu quero ser um velho jovem, quero manter o menino moleque dentro de mim. Essa chama só vai se apagar quando eu descer na próxima estação deste grande trem da vida”. A reflexão é do mineiro Célio Balona, um dos maiores nomes da música instrumental brasileira. Compositor, arranjador, tecladista e acordeonista, Balona celebra 80 anos de idade e 65 de carreira com uma série de shows no CCBB-BH. O primeiro, intitulado “Batuquerê”, é nesta quarta (20).

O título é o mesmo do disco lançado por Balona em 1992 e que marcou um mergulho definitivo na música instrumental. “Foi quando resolvi me dedicar à música instrumental. A partir desse álbum defini minha carreira e foquei em compor, tocar e fazer músicas para cinema e balé”, relembra o músico. “Com exceção de ‘Aquarela do Brasil’, de Ary Barroso, todas as músicas são minhas. Então, também foi uma forma de mostrar meu lado compositor”, ressalta.

Balona diz que o show contará com músicos de diferentes gerações. “Estarei acompanhado pelos músicos que tocaram comigo na gravação do disco”, afirma, sublinhando os nomes de Chico Amaral (saxofone e flauta), Kiko Mitre baixo), Pingo Ballona (bateria) e Bill Lucas (percussão). “Também gosto de tocar com expoentes da nova geração, que está trazendo sangue novo para a música mineira. Então, convidei para o show as irmãs Luísa Mitre (piano acústico) e Natália Mitre (vibrafone)”, completa. 

Dia 3 de abril é a vez do segundo show da série, “Célio convida Ivan Lins e Gilson Peranzzetta”. “Toquei com Ivan Lins em 1975, na gravação do disco ‘Saudações’, de Tino Gomes. Mas ao vivo ainda não estivemos juntos. Será a primeira vez”, afirma Balona. “O considero um dos maiores compositores do mundo. Músico maravilhoso, melodista fantástico. E ainda teremos os arranjos do grande maestro Gilson Peranzzetta, por quem tenho imenso respeito”. 

Já no dia 17 de abril acontece a apresentação “Célio Balona & BR Groove – Música Eletrônica”, dedicada a uma paixão pouco conhecida do instrumentista. “Formei essa banda de música eletrônica quando vivi em Florianópolis. Pouca gente sabe desse trabalho, é meu lado escuro da lua”, brinca. “Sempre fui fascinado por instrumentos eletrônicos. Os sintetizadores nos deram a oportunidade de ouvir timbres que o ouvido humano jamais havia escutado. Desde 1977, quando a Yamaha trouxe os primeiros sintetizadores para o Brasil, me apaixonei pela riqueza de sonoridades da música eletrônica”. 

Fechando a série, em 1º de maio, tem o espetáculo “Anos Dourados”, quando Balona relembra o início da carreira nos bailes, com o parceiro Nivaldo Ornelas (saxofone). “Retorno às origens. Minha universidade foram os bailes, quando tocávamos música romântica para os casais dançarem coladinho. A noite me mostrou caminhos que eu podia explorar quando fizesse minha própria música”. 

Para Balona, celebrar 65 anos de carreira o faz ter certeza do amor pela música. “Se eu puder voltar a este mundo maluco, quero voltar como músico novamente. A música me deu oportunidade de conhecer muita gente boa, de fazer a trilha sonora da vida de muitas pessoas. É uma vida difícil, sem esse glamour que todos pensam. Você tem que se casar com a música e ela é uma mulher ciumenta, que cobra muito”, brinca. “Fui emancipado aos 15 anos por meu pai para tocar na noite. E se pudesse fazer tudo de novo, eu faria. Foram momentos eternos e estes shows me farão olhar para trás e concluir, mais uma vez, que valeu a pena”.