É como um cupido audiovisual. A cada ano, durante a Mostra CineBH, os organizadores promovem o encontro de projetos de longas-metragens brasileiros com potenciais produtoras de cinema no mundo. Na verdade, todos eles estão à procura de um parceiro e o festival, com início hoje na capital mineira, acaba sendo o cenário ideal. E muitas vezes de final feliz.

“Você sabia que os dois maiores ganhadores de Gramado (tradicional festival de cinema realizado na serra gaúcha, encerrado no sábado) foram projetos que passaram pelo Brasil CineMundi, um dos maiores eventos de mercado do cinema brasileiro realizado no país?”, indaga Raquel Hallak, coordenadora-geral do evento, citando os filmes “Benzinho”, já em cartaz, e “Ferrugem”.

“Para nós, quando isso acontece, é a glória, porque surgem aqui ainda no argumento, sem sabermos se vão virar filme. É interessante vê-los lá na frente, sendo lançados em mais de 20 países, como é o caso de ‘Benzinho’. A sensação é de que apostamos na coisa certa”, registra Raquel. Nesta edição, foram selecionados 20 projetos, oriundos de sete estados – Minas tem oito.

O processo envolve muito mais do que agendar um simples encontro, explica a coordenadora. “Quando acertamos a vinda dos projetos, há toda uma preparação para que estejam em condições de serem apresentados para representantes de fundos de investimento, distribuidores e produtoras. A coprodução é muito mais viável quando o projeto está no início”, detalha.

Foram convidados 23 nomes da indústria cinematográfica de 12 países, que geralmente têm 25 minutos para definir, num encontro tête-a-tête, a sua participação em algum filme. Além disso, um júri escolhe o melhor projeto, que será anunciado no último dia Mostra CineBH, no domingo. O vencedor ganhará vaga em outros mercados audiovisuais no estrangeiro.

E não se trata apenas de filmes de potencial comercial. Em caminho oposto ao que a Agência Nacional de Cinema (Ancine) vem propondo, pontuando produtoras pelos seus êxitos de bilheteria, a mostra faz questão que frisar que há espaços para todos. “Nossa premissa é por um cinema sem rótulos. O bacana do cinema é a sua diversidade, que faz a diferença numa cinematografia”.

Ao homenagear a produtora argentina El Pampero Cine e dedicar parte de sua programação ao cinema latino-americano, a ideia é chamar a atenção para esses caminhos diferentes. “Uma produtora como a Pampero está dando algum recado ao fazer um filme de 14 horas de duração (‘La Flor’, presente na programação), na contramão de uma indústria consolidada na Argentina”.