Coincidência ou não, o Tropicalismo e o Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana – Fórum das Artes guardam o mesmo ano de nascimento: 1967. Mas a relação entre o movimento artístico que sacudiu o país nos anos 60 e um dos maiores eventos culturais do Brasil não está apenas nos 51 anos de história, pelo menos em 2018.

Há 50 anos, era lançado o disco “Tropicália ou Panis et Circensis”, homenageado na próxima edição do Festival, que acontece entre 6 e 22 de julho, em Ouro Preto, Mariana e João Monlevade. 

“O Tropicalismo é um tema extremamente importante para o cenário cultural brasileiro e isso, de certa forma, foi o que nos influenciou a celebrar o movimento, principalmente pelo contexto que vivemos hoje, que é de crise, de reafirmação da cultura. É um momento que exige inovação”, ressalta Marcos Eduardo Carvalho Gonçalves Knupp, professor e pró-reitor de extensão da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), que organiza o evento. 

Embora não permeie a totalidade da extensa programação do Festival – são mais de 400 atrações –, o Tropicalismo se materializa em grande parte das atividades: desde as artes visuais, com exposição que recebe o nome de “Espaço Tropicália”, às escolhas musicais e teatrais. 

Mergulhado também em outras temáticas, o evento tem como destaque a apresentação da Orquestra de Ouro Preto, que revive o repertório dos Beatles em uma apresentação no Dia Mundial do Rock, comemorado em 13 de julho.

Outro ponto forte da programação, apontado por Knupp, são os tradicionais doces de São Bartolomeu, patrimônio imaterial da cidade histórica, que ganham uma oficina aberta ao público. 

Disco “Tropicália ou Panis et Circensis” é ícone da música brasileira

Disco “Tropicália ou Panis et Circensis”


Diálogo

O festival tem como premissa o diálogo entre a comunidade e a academia. “Entendemos que, como universidade pública, somos responsáveis por promover essa conversa entre o que é trabalhado no campo acadêmico, a cultura popular e a comunidade que está no entorno”, pontua o pró-reitor. 

É justamente por isso que estão inseridos na programação seminários, palestras e oficinais. “Um dos destaques será o seminário ‘80 anos de Ouro Preto Cidade Patrimônio’, trazido pelo Iphan”, cita Knupp. 

Ainda nesta seara, o pró-reitor destaca um painel que coloca em discussão a sustentabilidade em cidades históricas, que leva a chancela da Unesco. 

Serviço
Festival de Inverno de Ouro Preto – Fórum das Artes, de 6 a 22 de julho, em Ouro Preto, Mariana e João Monlevade. Informações em festivaldeinverno.feop.com.br