Se o futebol é uma caixinha de surpresas, como alguns jogadores gostam de afirmar nas entrevistas pós-jogo, esta pode muito bem ter o formato de uma tela de cinema, de onde saem histórias que vão do drama à comédia. Esta imagem sintetiza bem a proposta do Cinefoot, único festival de cinema dedicado ao esporte número um do brasileiro.

A partir de amanhã, a versão mineira do festival criado no Rio de Janeiro entra no nosso campo sagrado, o Mineirão, que vira palco da exibição de vários filmes e de debates. “O futebol é mais do que um jogo, extrapolando todos os sentidos. E o cinema tem explorado esse rico universo”, salienta a coordenadora Daniela Fernandes.

Ela destaca que o festival recebeu cerca de 200 inscrições de filmes neste ano. Alguns destaques estarão em BH, como “Dentro De Um Vulcão – A Ascensão Do Futebol Islandês”, que conta a história do time europeu que disputará a sua primeira Copa do Mundo, na Rússia, e “Pergunte Quem Era Falcão”, sobre o volante da Seleção Brasileira de 1982.

A vez dos mineiros
Em sua versão mineira, o Cinefoot também reunirá numa mesma sessão quatro produções mineiras, entre elas “Veterana, Paixão e Glória”, que aborda os 90 anos da Caldense, de Poços de Caldas, e “Eterno, um capítulo incontestável”, sobre o reencontro de uma família de cruzeirenses 20 anos depois do título da Libertadores. As duas décadas do bicampeonato da Libertadores serão lembradas também num bate-papo capitaneado pelo ex-jogador Nonato.

A conversa sobre a participação brasileira na Copa de 1982 reunirá Renê Santana, filho do então técnico Telê Santana, e Alexandre Simões, editor do caderno de Esportes do Hoje em Dia. “A Copa do Mundo de 1982 carrega uma característica de abrir a ‘Era dos Estrangeiros’ na Seleção Brasileira, pois até 1978, apenas jogadores que atuavam no país eram chamados. Telê levou para o Mundial da Espanha Falcão, volante da Roma, da Itália, e Dirceu, meia do Atlético de Madrid, da Espanha”, recorda Simões.

Após a Copa, os clubes brasileiros viram suas estrelas desembarcarem na Europa – principalmente n a Itália, destino de Toninho Cerezo, Zico, Sócrates, Júnior e Edinho. “Essa é uma marca quase desconhecida daquela equipe que encantou o mundo e está mais viva na memória que muitas campeãs mundiais”, ressalta.

Para 2019, Daniela adianta que seu desejo é fazer exibição “open air”, no gramado do Mineirão. “Colocaríamos uma tela grande atrás de um dos gols e as pessoas veriam os filmes nas arquibancadas. Temos conversado com o Mineirão, que tem um grande parceiro nosso no festival”, registra.