Toquinho não poupa elogios quando o assunto é Tom Jobim. “Genial”, “único”, “inconfundível em tudo que fez”, “um exímio letrista”, exalta. “Ninguém como Tom soube registrar numa frase, e são várias delas, a relação do homem com a natureza das coisas”, prossegue. Mais da reverência de Toquinho poderá ser conferida no show “Homenagem a Tom Jobim”, que fará ao lado de João Bosco e Joyce Moreno, nesta sexta-feira, no Grande Teatro do Palácio das Artes. No domingo, no mesmo palco, a cantora portuguesa Carminho faz outro tributo ao mestre da Bossa Nova, que teria completado 90 anos em janeiro. 

Toquinho conta que viu Jobim pela primeira vez nos bastidores do antigo Teatro Paramount, durante um dos shows produzidos por Walter Silva. Na época, nos anos 1960, ele ainda era um cantor amador. “Foi uma grande emoção quando ele (Jobim) disse: ‘Ah, você é aquele do violão!’, demonstrando que já ouvira falar de mim”, recorda.

"A música de Tom contém todos os fundamentos da estrutura melódica da Bossa Nova, que revolucionou universalmente a noção de ritmo, melodia e poesia numa composição musical"

Toquinho

Músico

De 1977, Toquinho lembra do espetáculo que ficou oito meses em cartaz no Canecão, no Rio, quando se apresentou ao lado de Tom, Vinicius de Moraes e Miúcha. “Aí pude conviver mais de perto com Jobim e desfrutar de toda sua genialidade como músico e de seu temperamento carregado de humor e sabedoria. Ele tinha um senso de humor inteligente, de uma suave ironia”, pontua.

Espetáculo
Quarenta anos depois daquela parceria, Toquinho diz que ainda é uma experiência emocionante evidenciar o músico responsável por construir um repertório “vasto e dignificante”. “Usufruir da música de Tom é compartilhar de sua inteligência incomum, repleta de ironias e sátiras jocosas observando com lucidez lúdica defeitos ou vícios de uma época ou de pessoas”, diz. 

JOYCE MORENO
JOYCE MORENO - "Como se não bastasse, Joyce é grande compositora e toca todo aquele violão! Eta mulherzinha danada!", disse Tom em 1987

 

Herdeiro das “belezas criadas por Tom”, como o próprio diz, Toquinho, para o show, emprestará a voz para os clássicos “Eu Não Existo Sem Você”, “Só Danço Samba”, “Eu Sei Que Vou Te Amar”, “Garota de Ipanema”, “Corcovado” e “Vivo Sonhando”. 

Joyce Moreno, por sua vez, cantará sucessos como “Retrato em Branco e Preto”, “A Felicidade”, “O Mar”, “Ela é Carioca”, "Estrada do sol" e "O Morro Não Tem Vez". “Joyce é uma grande instrumentista e cantora de voz peculiar, compositora de primeira linha. Ela sempre acrescenta brilhantismo em tudo que participa”, enaltece Toquinho. 

Quanto a João Bosco, o músico destaca: “sua voz altera rusticidade e suavidade sem interferir na sonoridade de seu violão, fazendo dele um artista com linguagem inconfundível e plenamente brasileira”. Bosco interpretará “Águas de Março”, “Água de Beber”, “Dindim”, “Desafinado”, “Ligia” e “Fotografia”.

João Bosco
JOÃO BOSCO - O músico estreou em disco com uma gravação de Tom. Em 1972, Bosco lançou um compacto com "Águas de Março" no lado B. O lado A tinha "Agnus sei". O material foi encartado em um disco de bolso do jornal Pasquim

 

Carminho
Após São Paulo, Rio e Portugal, BH recebe o espetáculo “Carminho canta Tom Jobim”, título também do disco recém-lançado pela Biscoito Fino. O trabalho reúne músicos que fizeram parte da Banda Nova, criada em 1984, que tocou com Tom por 10 anos. Nessa nova edição, o grupo é formado por Paulo Jobim (violão), Daniel Jobim (piano) – filho e neto de Tom –, Jaques Morelenbaum (violoncelo) e Paulo Braga (bateria). No repertório, canções como “O Que Tinha Que Ser”, “Inútil Paisagem”, “Estrada do Sol” e “Sabiá”. 

CARMINHO
CARMINHO – Marisa Monte, Chico Buarque e Maria Bethânia participam do disco da cantora portuguesa em homenagem a Jobim; show chega ao Palácio das Artes neste domingo

 

Serviço

Toquinho, João Bosco e Joyce em “Homenagem a Tom Jobim”, sexta-feira, às 21h. Ingressos de R$ 200 a R$ 80 (meia). 

“Carminho Canta Tom Jobim”, domingo, às 20h. Ingressos de R$ 200 a R$ 60 (meia). 

Ambos no Grande Teatro do Palácio das Artes (av. Afonso Pena, 1537).