Quando estava à frente da câmera, David Bowie não era muito distante da figura misteriosa e ambígua que cultivava nos palcos. Várias produções se beneficiaram dessa persona complexa, com o Camaleão compondo tipos como um rei de goblins (em “Labirinto”) e um vampiro (em “Fome de Viver”).

Mas foi como o alienígena de “O Homem que Caiu na Terra”, ficção-científica que retorna agora aos cinemas, que ele mais se aproximou de suas opções de vida e de música, em especial ao Thin White Duke, personagem de sua turnê “Station to Station”, e ao Ziggy Stardust, um ser que “parecia chegado de Marte”.

E é assim que tomamos o primeiro contato com Newton, recém-chegado de um planeta distante, cujos modos estranhos são justificados por sua procedência inglesa. “Newton é puro Bowie, dos cabelos vermelhos às roupas”, assinala Francesca Azzi, uma das proprietárias da Zeta Filmes.

“O filme pode ser captado por vários tipos de público. Desde os que gostam de Bowie aos fãs de ficção-científica. O décor, a direção de arte, é bem anos 70. E nos possibilita rever as culturas alternativas, entre aspas, daquela época, discutindo também questões como liberalização da sociedade e capitalismo”, destaca.

Ela lembra que a preocupação com a água já estava presente na temática do filme, já que a motivação de Newton para vir à Terra é buscar soluções para a desertificação de seu planeta. “Ao virar um empresário, dono de várias patentes, o personagem vai se modificando, tornando-se um capitalista selvagem”.

Dirigido por Nicolas Roeg, “O Homem que Caiu na Terra” é baseado no livro homônimo de Walter Trevis, lançado em julho passado no Brasil, pela editora Dark Side. Distribuidora e editora estão fazendo uma promoção conjunta em suas redes sociais, com sorteio de ingressos e exemplares do livro.

Além da data de aniversário de morte do cantor, a Zeta comprou os direitos do filme de Roeg para compor uma seleção mais pop de seu selo Clássicos. “É um cinema de autor, mas sem ser de grandes nomes na direção, como aqueles que lançamos antes, de Fellini, Pasolini e Bergman”.