Já parou para escutar alguém hoje? Ao menos tenta se colocar no lugar de outra pessoa durante uma discussão? Se as respostas forem negativas talvez você esteja precisando exercitar a empatia. Não sabe como? A boa notícia é que tem até curso para ajudar nessa empreitada.

Ativada pela ocitocina, também conhecida como “hormônio do amor”, a empatia é uma capacidade nata de compreender o outro do ponto de vista dele. Nas redes sociais é fácil perceber como colocar isso em prática é um desafio. Basta ver os comentários – geralmente raivosos – sobre variados temas. Mas essa intolerância tem explicação. O ser humano tende a atrofiar essa habilidade com o passar dos anos. 

“A empatia precisa ser reaprendida culturalmente, por meio das relações”, diz a psicóloga Camila Marques, acrescentando que ter um olhar generoso e exercer o silêncio ajudam a escutar o outro. 

No curso “Escutatória”, realizado amanhã e nos dias 13, 20 e 27 deste mês, na Escola de Empatia (rua Itaí, 782, Santa Efigênia), por R$ 180, a psicóloga ensinará ainda sobre a importância da “comunicação autêntica”. 

“A ideia é levar em consideração os nossos próprios sentimentos e necessidades e não somente os do outro. Dessa forma, somos verdadeiros com a gente mesmo e, ainda assim, conseguimos considerar o que o outro sente ou necessita”, esclarece.

Uma postagem recente no Instagram do escritor João Pedro Doederlein mostra como o tema mexe com as pessoas. A definição que ele criou para o verbete foi curtida 16 mil vezes. Três mil a mais do que o conceito dele sobre o amor.

“Não adianta falar que a partir de hoje será mais empático, é preciso sustentar essa escolha”

Camila Marques, psicóloga

Na contramão
Camila, no entanto, adverte para o outro lado da história. “A falta do exercício da empatia gera conflitos de intolerância, inflexibilidade, agressividade e dificuldade em não aceitar o diferente”, enumera. 

Em um mundo cada vez mais competitivo, inclinações como essas estão cada vez mais frequentes, como afirma o publicitário Wilson Bentos, de 53 anos. “A comunicação violenta é normal, o que dificulta o desenvolvimento da empatia”, frisa. Ele sabe bem os efeitos desse tipo de comportamento. “A área de publicidade, além de ter muita competição, é formada por egos”, critica. 

Na busca por outra realidade, Bentos tem procurado fugir de coisas prejudicais ao exercício da empatia. “Não quero mais fazer o que não tem utilidade social. Por isso, faço perguntas como: e as pessoas? O planeta? Como vão ficar? Minha visão mudou e até mesmo minha lista de leitura e filmes”, conta. 

“Ainda estou em desenvolvimento sobre essa questão da empatia. É um processo. Não acontece da noite para o dia”, acrescenta. 

Dicas para ser uma pessoa mais empática:

-Pratique a escuta: escute com vontade de realmente querer saber o que a pessoa está falando.

-Evite julgamentos prematuros: compreenda o que a pessoa está falando antes de emitir opinião sobre aquilo.

-Se exponha a novas experiências: converse com pessoas diferentes ou experimente algo novo para se colocar em outras perspectivas.

-Tenha o hábito de refletir: como me sentiria se eu fosse aquela outra pessoa ou estivesse naquela situação?

Fonte: Camila Marques, psicóloga e cocriadora da Escola de Empatia