O que chamou a atenção de Ingrid Guimarães para o filme “Um Namorado para Minha Mulher”, em cartaz a partir de hoje nos cinemas, é a caracterização da mulher dentro da trama, muito distante de estar “na esteira do homem, à procura e sofrendo por ele”.

Sinônimo de comédia brasileira na última década, formando com Leandro Hassum a dupla responsável pelos principais sucessos no gênero, Ingrid observa que o filme promove uma inversão, com os homens a serviço dessa mulher que “está completamente fora dos padrões”.
“A Nena não quer estar na moda, faz o que gosta e fala o que pensa. Tinha medo de ela se tornar chata para o público, mas nas pré-estreias as mulheres se identificaram, ressaltando a coragem dela. Nesse sentido, Nena é muito feminista”, analisa, em entrevista ao Hoje em Dia.

A atriz avalia que é um dos papéis mais diferentes que já fez no cinema. “O filme do Belmonte, ‘Entre Idas e Vindas’, também é diferente, mas é dramático. ‘Um Namorado para Minha Mulher’ põe a comédia em outro lugar, com a mulher levando a história”. 

Inspirado no filme argentino “um Namorado para Minha Esposa”, de 2008, a trama acompanha um casamento em crise, com o marido Chico (Caco Ciocler), sem coragem de pedir a separação, recorrendo a um sedutor para tirá-la do caminho.

Ingrid registra que vários elementos foram acrescidos ao texto para dar um tempero mais brasileiro, a começar pelo tipo de humor. “O argentino é melancólico, mais dramático, com muito tango. O nosso é mais solar, mais alegre”, compara.

Destaca ainda que a história original é pontuada por cenas de uma terapia de casal, que conduz o espectador aos flashbacks. “Terapia de casal é algo, para nós, elitizado. Trocamos pelos amigos de Nena e Chico, que passam a ser o ouvido deles”.

Autora da adaptação, a atriz também improvisou muito, especialmente nas sequências em que se descobre uma youtuber, falando o que vem à cabeça diante da câmera. “No argentino, ela participa de um programa de rádio. Quis atualizar para a internet, que é sucesso hoje”. 

Num desses comentários, exibidos durante os letreiros finais, ela dá uma alfinetada nos críticos à comédia nacional. “A Julia (Rezende, diretora) disse para eu não falar, mas a gente sofre preconceito o tempo inteiro. Quando falam de comédia, é sempre em tom agressivo”, lamenta.

A atriz concorda que, com Julia na direção, há uma mudança na condução e no olhar. “Ela é mais sutil e inclui uma visão muito feminina do que é o casamento, do que é a mulher. Nas filmagens, dizia para eu não fazer gracinha, pois a Nena não se vende. O humor está a serviço da história e não o contrário”.