Chamada de "oportunista" pelo compositor Roque Ferreira por ser incluída pelo Prêmio da Música Brasileira na categoria samba, a cantora Zélia Duncan saiu da cerimônia de premiação, no Teatro Municipal, na quarta-feira, como grande vencedora: levou três troféus, melhor canção, Antes do mundo acabar (sua com Zeca Baleiro), CD (homônimo) e cantora.

O disco, com sambas de Paulinho da Viola, Moacyr Luz, Xande de Pilares e seus, venceu o do autor baiano (Terreiros), que, ao saber que concorria com uma "não-sambista", pedira ao criador e diretor geral do prêmio, José Maurício Machline, que seu disco fosse retirado da categoria - não foi atendido. 

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"Para mim, essa história se encerra aqui. Eu sou "roqueira". Essa liberdade conquistei com muitos anos de trabalho. Gravei sambas como um agradecimento ao gênero. Vida longa a quem tem amor do coração!", disse a cantora na saída da cerimônia, à qual foi com um provocador broche dos Rolling Stones (o da língua para fora) preso à roupa. 

Ontem, por telefone, o compositor de sucessos de Zeca Pagodinho, como Água da minha sede (com Dudu Nobre), e Samba pras moças (com Grazielle Ferreira) classificou os prêmios dados a Zélia "uma violência ao samba". "Ela é roqueira, e ganhou porque o projeto é do Machline, que é um canalha bem vestido, com roteiro dela. Samba tem que haver compromisso". Para Machline, conceitos cristalizados, como os de Roque, estão "fora de moda".