Se na vida pessoal ela sempre foi muito reservada, nos palcos expõe sentimentos genuínos, como o amor que marca sua essência artística. Algo quase palpável. Assim é a cantora e compositora niteroiense Zélia Duncan, que sobe ao palco do Teatro Bradesco esta noite, para um encontro íntimo com o público mineiro.

Acompanhada apenas de seu violão e um punhado de boas canções, Zélia apresenta o show “O Lado Bom da Solidão”. Questionada sobre o nome do espetáculo, ela deixa uma provocação. “Essa eu respondo no palco!”. 

Mantendo um ar de mistério, a cantora não revela quais títulos entraram nesse projeto, mas dá pistas de um repertório afetivo. “Músicas de todas as minhas fases e outras que escolhi, como todas, porque adoro e acho que têm a ver com o formato”, elucida. Em outras cidades por onde passou, a artista entoou grandes sucessos como “Alma”, “Tudo Sobre Você” e “Catedral”. 

O show desta noite integra o projeto “Uma Voz, Um Instrumento” que já tem outros nomes confirmados, como Ângela Maria (8/7) e Luiz Melodia (20/8).

 

“Com paciência vou mostrando quem sou e o que gosto, quem se identifica chega junto e são grandes momentos”


Horizontes abertos
Foi dentro do mercado pop que Zélia se consagrou na década de 90. Porém, em 2004 decidiu mergulhar em seu baú musical dando vida ao disco “Eu Me Transformo em Outras”, no qual revisitou obras imortalizadas por nomes como Elizeth Cardoso, Cartola e Itamar Assumpção. Trabalho marcado pelos bandolins e a diversidade de estilos. Para a cantora esse “foi um passo fundamental” para abrir os horizontes e transitar pelos diversos lugares do universo artístico.

Algo que Zélia faz até hoje e deixa claro na análise sobre o que mais a interessa na arte: “Estar em cena e feliz por estar ali. Não ser burocrática nunca”, frisa. Tanta entrega pode confundir os que necessitam de rótulos para consumir algum produto. 

Com 35 anos de carreira, esse não é um fator que inibe a cantora que se marca pela versatilidade e se arrisca nos teatros mostrando suas várias facetas, como na dramaturgia. Ela mesma brinca que vive decepcionando seu público. “Faço música por um impulso irresistível. Me sinto livre e realizando meus desejos”, garante Zélia, que tem a composição como um lugar confortável em sua carreira.

Artista com mais indicações ao 27º Prêmio da Música Brasileira, entregue ontem à noite no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, com seu disco “Antes do Mundo Acabar”, Zélia chegou a ser chamada de oportunista por um colega que concorreu na mesma categoria – samba. Ele alegou que ela era uma roqueira.

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Esse caso ela respondeu em sua coluna no jornal O Globo, mas fez um desabafo ao Hoje em Dia. “Neste caso, o fundamentalista em questão é ressentido, perverso e quer enquadrar a todos que não seguem o roteiro fantasma que ele tem na cabeça. É famoso por querer patrulhar a música alheia. Um belo compositor e como colega, patético”, finaliza.

Zélia Duncan no Teatro Bradesco (Rua da Bahia, 2244), hoje, às 21h. 2º lote: R$ 140 e R$ 70 (meia)