A diretora Dona Dolores, seus treze alunos e o motorista da escola Seu Gumercindo estão de volta “Em Chá das Cinco”, quarto livro da série escrita por Lino Albergaria que chega às livrarias pela Saraiva (selo Atual), para alegria dos pré-adolescentes.

“Eu me sinto muito à vontade com personagens que conheço de outras histórias...Decidi criar uma série, usando suspense, provocando sustos, e narrada com humor. Os mesmos personagens se reencontram em pequenas viagens para conhecer paisagens reais e interessantes, mas sendo atraídos pelas dimensões do sonho e da fantasia”, conta o autor.

Após desvendar os mistérios da “Casa da Neblina”, se aventurar pela “Serra das Lianas” e encantar os leitores com “Ilha do Tempo Perdido”, Lino dá continuidade à saga da turminha em “Chá das Cinco”. Dessa vez, os alunos de Dona Dolores participam de uma excursão tendo no comando o motorista Gumercindo e sem a presença da diretora.

O passeio para o Jardim das Margaridas, a pé e a alguns quarteirões da escola, se transforma em peripécia digna de uma história de suspense misturada a contos de fadas. Crisântemos negros, margaridas, castelo, lebres, tartarugas, bruxa e gigante estão incluídos no eloquente cenário com participação de toda a turma no roteiro.

Contemporâneo

Para o autor, contos de fadas são consideradas as histórias mais antigas do mundo e fazem parte do inconsciente coletivo pois os temas aparecem em diversas épocas e lugares. “Chá das Cinco é um conto de fadas contemporâneo”, reitera Lino. Ao longo da trama é possível encontrar pistas.

Os primos Marie-Valérie e Jean-Jacques, netos de Madame Marguerite na narrativa, certamente lembram os famosos João e Maria, da história homônima contada pelos irmãos Grimm. Entoada em várias ocasiões ao longo da história, a canção popular “Onde está a Margarida?” tem a letra como uma espécie de roteiro para a aventura da turma.

“Em francês tem uma canção popular com uma letra muito parecida. Provavelmente nosso folclore importou... Madame Marguerite e seus netos têm nomes franceses e ela tem sotaque bem forte”, explica Lino, que morou em Paris de 1978 a 1981, onde fez mestrado em editoração e se apaixonou pela literatura infantil.

Em “Chá das Cinco”, Lino escreve para pré-adolescentes na faixa de 12 anos. “Como os personagens da série cresceram, o leitor amadureceu. Os primeiros livros eram voltados para crianças de 9, 10 anos, este novo ganhou mais páginas e menos ilustração”, diz se referindo aos desenhos em preto e branco com técnica aguada, com pigmentos suspensos ou dissolvidos em água.