Colocar uma lupa sob acontecimentos que chocaram o país nos últimos anos é a proposta do Espanca!, que apresenta “Real: Teatro de Revista Política” neste fim de semana, em BH. A sétima criação do grupo reúne quatro cenas curtas que retratam o ser humano sob o ponto de vista da violência, em suas diversas formas. “Uma resposta artística a fatos que nos chocam e para os quais não encontramos explicações”, pontua Marcelo Castro, diretor geral do espetáculo junto a Gustavo Bones.

O coletivo convidou quatro dramaturgos, com o intuito de obter uma diversidade de linguagem. “Parada Serpentina”, de Bryan O’Neil, é inspirada na greve dos garis, em 2014, no Rio de Janeiro. “Inquérito” de Diogo Liberan, parte do linchamento, em 2014, de uma mulher no Guarujá (SP), após o boato de que ela sequestrava crianças para rituais de magia negra. “O Todo e as Partes”, de Roberto Alvim, aborda o caso do ciclista que perdeu o braço após ser atropelado, em 2013, na Avenida Paulista. E por fim, “Maré”, de Marcio Abreu, norteia-se pela chacina ocorrida no complexo habitacional de mesmo nome, durante as manifestações de junho de 2013.
 
Estética
 
Cada cena também é esteticamente distinta. “Uma trabalha a dança, outra o teatro de bonecos, a música, o movimento. Assim, vamos para além do texto e nos aproximamos do teatro de revista”, diz Castro. Cada cena funciona sozinha, mas, juntas, sugerem uma leitura. “A ideia foi tornar o real mais nítido ao espectador, em um momento no qual tudo é efêmero”.

Em 2016, “Real” pode ganhar uma quinta cena, de Leonardo Moreira. “Colibri ou Aquele que Deve Morrer” é baseada na carta de suicídio coletivo dos índios guarani-kaiowá, em 2012. “Para tratar da realidade, precisávamos abordar temas diferentes”.
 
Desvio
 
No geral, 2015 foi um ano frutífero para o Espanca!, que cumpriu temporada em cidades do Brasil e da América Latina. Mas nem tudo são flores. Recentemente, os integrantes descobriram um desfalque significativo no caixa do grupo. “Cerca de R$ 80 mil, parte do dinheiro que ganhamos em uma premiação”, conta o diretor.

O desvio só foi percebido quando foram pagar a produção do novo espetáculo. “O dinheiro não estava lá. E descobrimos que a pessoa que fazia a nossa gestão financeira há quase dois anos estava desviando a verba”. O grupo move uma ação judicial para solucionar o caso. Por minimizar o prejuízo, eles iniciaram, no Facebook, a campanha “Vaquinha Real”, para viabilizar a estreia do espetáculo em BH.

“Real: Teatro de Revista Política”
Galpão Cine Horto (rua Pitangui, 3.613). Sábado (19), 20h, domingo (20), 19h. R$ 50. Ingressos no sympla.com.br/grupoespanca