Com “25” (Sony), Adele se confirma como o maior fenômeno da indústria fonográfica desde a virada do século. Em tempos em que o público está voltando a aprender a pagar por música, a cantora britânica vendeu 3,38 milhões de cópias nos Estados Unidos somente na primeira semana – mais do que o dobro do que Taylor Swift havia feito com “1989”. O clipe de “Hello”, publicado no dia 22 de outubro, já teve mais de 570 milhões de visualizações.

Por que tanto sucesso? A qualidade vocal é invejável e inquestionável, mas o grande diferencial de Adele é a capacidade de imprimir sentimento às suas músicas. Trilha sonora perfeita para momentos de fossa – e não podemos dizer o mesmo de outras grandes vendedoras de discos no mundo de língua inglesa, como Taylor, Kate Perry e Beyoncè. Não à toa, Adele repetiu em “25” a mesma linguagem que havia dado a “21”, sem decepcionar quem queria mais fossa e potência vocal.

Aquela sensação dolorosa de coração partido está bem representado em músicas como “Hello” e “Million Years Ago”, mas há alguns poucos respiros no álbum para os que tomaram ojeriza da cantora por conta do tom depressivo de boa parte de seu repertório – e por causa dos vizinhos que colocaram “21” no repeat, importante lembrar. “Water Under the Bridge” tem uma percussão simples, mas contagiante, que contribui para que a faixa seja um dos pontos altos do disco.