Com 37 anos de carreira, contabilizados a partir do momento em que entrou para a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, o mineiro Marcus Viana, 62 anos, está voltado para a produção do que chama de “música de cura”.

Entrevistado do Página Dois desta segunda-feira, no Hoje em Dia, Marcus reflete sobre a carência de mais eventos culturais em Belo Horizonte e a fase política que o Brasil vivencia.

Para ele, a Virada Cultural da capital mineira foi uma ótima ideia adotada. “Acho eventos como esse importantíssimos. As pessoas aqui são muito carentes disso, e não só os jovens. Sem falar que movimenta a cidade como um todo”, avalia.

Mas, bem, o artista tece uma crítica à forma de execução da Virada Cultural. “Só acho que as coordenações de um movimento desse têm que ser mais diversificadas. Tinha que haver uma setorização, não pode ser tudo centralizado no comando da prefeitura. Eles não têm competência nem excelência nas equipes de julgamento da programação”. E complementa. “Tenho vários projetos e não consigo mostrar ou participar da Virada mesmo com o lastro que tenho. Às vezes, os produtores falam que o artista é caro, mas nem perguntam para ele o valor. Não se concebe um evento no
qual os artistas mais históricos da cidade fiquem de fora”.

Aliás, Viana pontua que o Governo de Minas Gerais deveria utilizar seus artistas – e sua arte – como forma de atrair turistas, e exemplifica com o que vê acontecer na Bahia. “Você chega lá e, logo no aeroporto, há cartazes dos shows. E outros materiais com artistas, mais conhecidos ou no início de carreira, saudando os turistas. É uma forma de mostrar a riqueza do lugar. Sempre achei que a aula que os baianos dão na gente é muito grande”.

Quanto à situação política que o Brasil atravessa, ele diz que não pode se envolver com o assunto. “Política e economia, se me envolver com esses dois assuntos, paro de criar e fico tenso, mórbido e com vontade de ir embora”.

Na época das eleições, lembra, preferiu se manter neutro. “Nunca levei fé em nenhum dos lados. Não via solução.

Tive que ser honesto comigo e ficar neutro. Mas sou ‘sacana’, rio das piadas que são feitas com as situações políticas”, afirma.