Há pouco mais de um mês de completar 73 primaveras (no dia 26 de outubro), Milton Nascimento segue resoluto a declarar: “Eu gosto mesmo é de fazer amigos”. Mas estende: “E, principalmente, estar sempre perto das pessoas de que gosto – isso sim é o mais importante: a amizade”, frisa, ao Hoje em Dia. E é justamente ao lado de uma “nova amiga de infância” que ele traz de volta seu vozeirão a BH. Carminho, 31 anos, a moça em questão, tem cruzado o Atlântico (sim, você sabe, ela nasceu em Portugal) com frequência para dar rédeas à sua admiração pela música brasileira – estabelecendo, assim, intercâmbios que fazem bem aos ouvidos.

Com Milton, ela divide o palco num espetáculo que terá performances individuais num primeiro momento – cavalheiristicamente, Bituca deixa Carminho dar start. No “segundo tempo”, os dois unem não só suas vozes, como as bandas que os acompanharam isoladamente. O repertório, claro, contempla os clássicos do “mineiro”, como “O Cio da Terra” e “Nada Será Como Antes”. Mas, para não deixar a terrinha de fora, fados também serão prazerosamente agregados.

Fado em três pontas

O universo do gênero mais atrelado à alma lusitana, vale lembrar, é totalmente familiar a Milton Nascimento. “Desde criança fui acostumado a ouvir fado em casa. Na minha casa em Três Pontas, o fado era sempre tocado. Minha mãe, Lília, gostava muito, e passou isso pra mim”.

Mais tarde, já imbuído do espírito de ir aonde o povo está, Milton desembarcou pela primeira vez em Portugal para “nunca mais deixar de incluir o país nas minhas turnês”. “Tenho grandes amigos portugueses e o carinho do povo é uma das coisas que me deixam mais feliz”, diz ele, para quem a renovação da música daquele país está longe de suscitar surpresa. “Acho que Portugal nunca vai parar de revelar talentos, o fado está na alma e no coração dos portugueses”.

Milton Nascimento & Carminho – Nesta sexta-feira (18) e sábado, 21h. Sesc Palladium (rua Rio de Janeiro, 1.046 – 3270-8100). 16 anos. Bilheteria: no teatro. Plateia I – R$ 240 e R$ 120 (meia). Plateia II – R$ 220 e R$ 110 (meia). III – R$ 200 e R$ 100 (meia)

‘Ele é muito generoso’

Carminho nem hesita ao apontar a característica de bituca que a impressiona

Nem é uma questão de economia, mas de precisão. Em entrevista ao Hoje em Dia, Carminho optou por uma só palavra para definir o que seria, na sua opinião, a qualidade que mais se sobressai no Milton Nascimento artista e no ser humano. E ela foi proferida sem titubeios: “A generosidade”, exalta a moça, que desembarca em Belo Horizonte pela primeira vez plena de (boas) expectativas.

Toda simpática, de fala rápida, Carminho – apaixonada confessa pelo país – conta que já se apresentou em uma pá de lugares: Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Natal, Recife, Fortaleza... Faltava a capital mineira e, claro, Inhotim. “(A artista) Adriana Varejão, minha amiga, me fez formar uma ideia muito mágica desse lugar. Não há quem, hoje, não conheça (Inhotim) como um dos lugares mais espetaculares do mundo”, elogia ela, aproveitando para dizer, bem humorada, que já perdeu as contas de quantas vezes já esteve no Brasil.

“Na primeira, sequer tinha um disco gravado. Vim num cruzeiro, como cantora, ou seja, cheguei ao país pelo mar, como meus antepassados”, diverte-se, acrescentando que voltou logo depois, em meio a um ano sabático ao qual se presenteou para viajar sozinha pelo mundo, de mochila.

Com a nata da MPB

Profissionalmente, já na primeira viagem foi para cantar com Ney Matogrosso. E daí vieram parcerias com Chico Buarque, Nana Caymmi, Caetano Veloso... Tudo isso, claro, sem deixar de reverenciar suas raízes, em particular, o fado, mesmo ressalvando que esse olhar para o passado traz o filtro de sua personalidade, “para gerar algo diferente ao mundo”. “Tenho tido momentos de grande aprendizado”, reconhece a bela. (PC)

Isabel Pinto/Divulgação

Milton Nascimento divide o palco com a cantora portuguesa Carminho

CARMINHO – “Milton tem um conhecimento inato, recebeu um dom muito grande,

e é uma pessoa rara, original, autêntica”



Domingo, às 15h, Carminho se apresentará no Instituto Inhotim, na programação de aniversário do espaço

“É uma honra me apresentar na terra do Milton, da qual ele tanto fala, e onde sei que ele é tão querido pelo público”