O assunto pode gerar certo desconforto para muitos, mas, se serve de consolo, é, sim, corriqueiro. Pelo menos é o que assegura o escritor Jacques Fux em “Brochadas – Confissões Sexuais de um Jovem Escritor”, seu segundo título, que terá lançamento nesta quarta-feira (26) à noite.
 
O primeiro, “Antiterapias”, vale lembrar, faturou o Prêmio São Paulo de Literatura, na categoria autor estreante com menos de 40 anos. Se Fux se sente pressionado a repetir, agora, o êxito? “Senti tesão (risos); vontade de o livro ser mais lido e discutido que o primeiro”, reconhece.
 
Segundo ele, a ideia do tema surgiu durante seu pós-doutorado em Literatura, feito na Universidade de Harvard. E, ao investigá-lo, surpreendeu-se ao encontrar menções em textos de nomes de vulto – alguns dos quais constam no livro, como o também mineiro Carlos Drummond de Andrade, logo na epígrafe; além de Santo Agostinho e Platão. Referências pinçadas da Bíblia e do Torá também se fazem presentes.
 
Para homens e mulheres
 
O título sugere que as situações presentes no conteúdo foram vividas pelo autor. Fux, no entanto, ressalta se tratar de uma obra literária – mas com um calço na realidade. “Fiz uma pesquisa com amigos e uma ‘corrente’ por meio do WhatsApp para saber os motivos pelos quais as pessoas brocham”.
 
O resultado rendeu duas listas, a masculina e a feminina. Afinal, mulheres também brocham, ressalta ele. “E queria trazer a voz delas (à tona), entender o que sentem e o que pensam. Uma contou que o (mau) cheiro a faz brochar. Outra, que tem problemas com erros de português em mensagens trocadas pelo celular”, exemplifica, destacando que a “brochada” pode ser sexual, metafísica ou, ainda, metafórica.
 
Sem pudor, com humor
 
Um ponto que chama atenção no livro é a pitada de humor com a qual Fux tempera as situações. “Os judeus, mesmo tendo sido perseguidos a vida inteira e sofrendo inúmeros problemas, conservam o bom humor. O livro, de alguma forma, reflete esta minha cultura. Quero fazer as pessoas rirem”.
 
Mas, claro, há espaço para a reflexão: como o homem se comporta perante a sociedade? “O homem, em geral, tem a posição de que nunca pode errar e falhar, que tem que ser sempre ‘potente’. Porém, sabemos que dois mil anos a.C. ou até mesmo antes disto, as pessoas tinham alguns momentos ‘brochas’. Acontece com todo mundo. As pessoas precisam se libertar desta concepção”, entende.
 
Lançamento do livro “Brochadas ”. Nesta quarta-feira (26), às 19h. Terraço Leitura Pátio (av. do Contorno, 6.061)
 
“Mesmo com o Viagra, agora também para mulheres, não dá para escapar das brochadas. Em algum momento, todos vão passar por isto” - Jacques Fux - Escritor