Desde a virada do século, a ideia de coworking (um espaço dividido por profissionais de diferentes áreas) vem crescendo em todo o mundo. E não há fórmulas prontas para empresas e iniciativas artísticas que desejam dividir o mesmo espaço. Entre as várias iniciativas espalhadas por Belo Horizonte, é possível encontrar os mais diferentes perfis. Talvez o mais inusitado seja o das empresas que dividem o espaço onde antes funcionou o supermercado Bandeirantes, no Mercado Distrital do Cruzeiro. À vista do visitante, estão quatro iniciativas de perfil gastronômico e a Discoteca Pública, o principal acervo de vinis do Estado. 
 
Logo ao lado da bela praça de alimentação que os empreendimentos dividem, há ainda uma escada que leva a um escritório de coworking, onde estão cerca de 20 pessoas ligadas a três empresas. 
 
“Aqui encontrei possibilidades de fazer coisas que nem imaginava, como um evento de moda, por exemplo. Como somos profissionais de expertises diferentes, podemos trabalhar em conjunto e oferecer um serviço mais completo”, explica Guilherme Dutra, sócio-proprietário da produtora de vídeo Afirma. 
 
“Harmonize”
 
Um exemplo de trabalho que integra várias frentes no mercado é o projeto “Harmonize”, realizado no terceiro sábado de cada mês. No espaço do estacionamento, o público encontra itens dos cardápios de empresas do mercado que foram harmonizados com cervejas artesanais, a partir de indicações da Sommelier Fabiana Arreguy. A coordenação é da Cria! Cultura e o projeto envolve feirantes e restaurantes. 
 
Essa união de forças foi importante para atrair um bom público, garante Edu Pampani, diretor da Discoteca Pública. “Aqui, fiquei mais exposto. Não preciso mais ficar correndo atrás de eventos para conseguir pagar as minhas contas”.
 
 
Mais do que dividir custos, a ideia é fazer parte de uma comunidade
 
No lugar onde antes funcionava o escritório de advocacia da mãe, os irmãos Lucas e Bruno Durães montaram um espaço de coworking. No Guajajaras, trabalham atualmente cerca de 30 pessoas das mais diferentes áreas, como comunicação, direito, tecnologia e arte. 
 
Mas a intenção dos irmãos (um arquiteto e um advogado) é ir além da questão estrutural, já que o espaço oferece sala de reunião, sala multiuso, secretária e telefone fixo. “O principal chamariz, na verdade, é a possibilidade de entrar para uma comunidade, onde você poderá aprender coisas novas com pessoas de diferentes backgrounds”, diz Lucas. “No home office, a pessoa fica isolada. Aqui, ela tem a possibilidade de trabalhar em conjunto com outros profissionais e estabelecer parcerias”, completa Bruno.
 
Um exemplo disso foi o projeto temporário de moda “Alfaiataria”, montado numa antiga casa da rua Santa Rita Durão. Todos os integrantes do coworking foram convidados a participar da ideia, que envolveu dezenas de figurinistas. 
 
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E mais
 
Outro exemplo interessante de coworking em Belo Horizonte é o Pomar da Floresta, uma casa na rua Souza Bastos, com um quintal bem caseiro, dividida por duas empresas de comunicação e outra de arquitetura – também aberta para outras iniciativas de economia criativa. 
 
Também na Floresta fica a Benfeitoria, uma iniciativa multidisciplinar desenvolvida por cinco coletivos que dividem uma casa. No espaço – localizado na rua Sapucaí e reformado com recursos levantados com financiamento coletivo – acontecem eventos dos mais diferentes perfis, como shows, exposições artísticas, mostra de filmes e festas particulares. 
 
Já a Alfaiataria, um espaço de coworking temporário montado na rua Santa Rita Durão, 153, tem prazo certo para acabar. A iniciativa dura somente até o fim de junho, porque a antiga casa onde foi instalada será demolida. Quem tem interesse por comprar artigos diferenciados de arte e moda pode visitá-lo de segunda a quarta, das 12h à meia-noite, e de quinta a sábado, das 12h à 1h.