Nydia Negromonte costuma dizer que suas obras vão dizendo a que vieram. “Elas vêm e me dizem. Nunca tenho muito claro um objetivo ao dar início a uma série. Ela se estabelece, fico sempre de ouvinte, o que me dá uma certa tranquilidade”, conta a artista, que abre hoje, para o olhar do público, a mostra “Ocidente”, de trabalhos novos e inéditos aqui, em Belo Horizonte.
 
“Trata-se da minha primeira exposição após a Bienal de SP, em 2012, e da mostra no MAP. Tive dois anos de intervalo, mas, neste meio tempo, continuei trabalhando”. O conceito de “Ocidente”, lembra, começou em 2013, quando se deparei com a ideia embutida na palavra, em latim, occidens. “A ideia do poente, do sol que se põe, da queda, da morte. Falei: ‘Meu Deus’, tive a certeza de que era isso (seu norte). Ou seja, o nome da mostra veio antes dos trabalhos, toda produção veio em função deste conceito –mas, claro, ele não foi trabalhado de modo óbvio nem as obras estão completamente atreladas, forçosamente submetidas a ele”.
 
São, na verdade, obras que pertencem às séries “Post POSTA”, “Fábula”, “Quatro Ventos”, “Bússola”, “Notas de Prova”, “Topografia Hidrófila”, “Quatro Operações” e ‘Assoreo”, que se valem de fotografias, objetos e instalações para falar sobre o tempo e os ciclos vitais inerentes ao homem e à natureza, bem como às relações entre estes estabelecidas.
 
Na série “Notas de Prova”, Nydia volta a recorrer ao seu álbum de família. “Mas não é uma busca da minha memória afetiva. Claro que isso me alimenta, mas não alimenta muito a obra. O que chega ao público, percebo, está isento disso, senão, fica piegas”.

Formada em Desenho pela Belas Artes da UFMG em 1989, com especialização em gravura, Nydia foi artista residente no Atelier Hangar, em Barcelona, tendo participado de importantes mostras tais como a Arco.
 
Serviço

“Ocidente” – Galeria Genesco Murta do Palácio das Artes (av. Afonso Pena, 1.537). Até 7/6. Terça a sábado de 9h30 às 21h. Domingos: 16h às 21h.