Tudo o que você sempre quis saber (ou entender) sobre arte abstrata estará presente, em boa medida, na exposição que entra em cartaz nesta quarta (15) no Centro Cultural Banco do Brasil, na Praça da Liberdade.

Além de reunir obras do precursor do abstracionismo, o russo Wassily Kandinsky (1866-1944), a mostra "Tudo começa num ponto" conta com telas, cerâmicas, indumentárias e objetos de pessoas que, ao longo da vida do artista, o inspiraram a transformar os conceitos e as formas da arte plástica mundial.

De valioso nessa mostra está exatamente essa peculiaridade. Das muitas exposições que já foram feitas sobre Kandinsky foram raras as que colocaram, lado a lado, elementos que o influenciaram diretamente ao lado dos seus trabalhos. Esse diálogo de obra e peças colabora (e muito) para o entendimento do que passava pela mente do artista no momento da criação, do que suas telas representam: o encontro de uma época, de um tempo e amigos que o rodearam.

No CCBB-BH, o público poderá ver de perto, por exemplo, quadros de artistas que participaram do grupo "O cavaleiro azul" (formado na Alemanha por artistas que se inspiravam no Expressionismo num período dominado pelo Simbolismo). Há também objetos do Xamanismo, segmento que chegou a ser muito popular na Rússia do século 20 e era praticado por povos que Kandinsky entrou em contato antes mesmo da gênese do abstrato. Uma turma que, aliás, foi responsável por desencadear todo o movimento e paixão do artista pela cultura popular.

O início
Uma viagem ao Norte da Rússia, às regiões, cidades e povoados distantes de Moscou, inspiraram Kandinsky a criar seus primeiros trabalhos. Ao defrontar-se com arte popular autêntica pela primeira vez, o artista chegou a escrever que havia ficado especialmente impressionado com o colorido das coisas e, por causa disso, sentiu necessidade de pintar a sensação que as cores lhe transmitiam - e não necessariamente as figuras.

Para Kandinsky, não era preciso se ocupar de elementos figurativos, mas dos sentimentos, motivos, digam-se de passagem, bem mais complexos e profundos. A pintura de Kandinsky, portanto, reflete exatamente o que havia dentro da sua própria alma. Em "Tudo começa num ponto" o observador poderá ver quão sentimental era artista, e o quanto a fantasia, as lembranças e as paixões povoam o imaginário e consequentemente todo seu trabalho.

Antes da morte, Kandinsky tratou de doar grande parte de sua obra para museus e espaços de cultura instalados em províncias distantes de Moscou. Críticos associam a decisão à necessidade do artista de encorajar/ensinar que arte é o que o vem do coração. De que formas ou a simples insinuação delas são obras dignas de serem chamadas de arte. E de que, sobretudo, réplicas da realidade são dispensáveis diante de uma vida tão colorida. 

SERVIÇO
Kandinsky - "Tudo começa num ponto"
Pinturas, gravuras e objetos. A partir desta quarta (15) no Centro Cultural Banco do Brasil (Praça da Liberdade, 450, Funcionários). De quarta a segunda, das 9 às 21h. Entrada franca. Até 22/6