Em 2015 serão lembrados os 70 anos do fim da Segunda Guerra Mundial. Apesar da distância temporal, até hoje persistem assuntos mal explicados sobre a decisão dos alemães de afundar navios da marinha mercante brasileira nas costas do Nordeste, entre 1941 e 1944.

Assunto sobre o qual se debruça o tenente-coronel do Exército Durval Lourenço Pereira, autor do recém-lançado livro “Operação Brasil: O Ataque Alemão que Mudou o Curso da Segunda Guerra Mundial” (Editora Contexto).

De acordo com o historiador, o ataque foi iniciativa de um único homem, o capitão Harro Scharcht, do submarino U-507.

“Escrevi o livro para contestar esse mito de que foi uma ordem (vinda) da Alemanha que resultou no ataque de agosto de 1942, com vários navios brasileiros afundados na costa, e o Brasil entrando na guerra”. Segundo Durval, há relatos, inclusive, de que a decisão teria partido de Adolf Hitler. O verdadeiro responsável, porém, seria o capitão Harro Scharcht.

“Ele tinha uma missão que não era essa, mas, sim, a de ataque aos comboios aliados”, explica o autor, após mais de três anos de exaustiva pesquisa em arquivos brasileiros, alemães e americanos.

No entanto, havia um plano da marinha alemã para um ataque devastador contra portos e a navegação brasileira, mas que nunca foi executado.

Outra teoria que Durval contesta, ao longo de 336 páginas, é a de que o governo brasileiro, sob comando de Getúlio Vargas, seria dividido entre “germanófilos” e “americanófilos”.

Para o militar, tratou-se mais de uma propaganda da diplomacia norte-americana, na base do “quem não é por nós é contra nós”. “Criou-se então esse mito do ‘germanófilo’”.

ALIADO DE FATO

Segundo o historiador, o Brasil tinha um governo de cunho nacionalista e não queria entrar na guerra a reboque, mas como um verdadeiro aliado.

“Primeiro, não interessava participar de uma guerra que estava restrita à Europa, que não dizia respeito ao nosso país. Mas o Brasil tinha, sim, uma longa relação de fraternidade com os americanos. Queria participar da defesa do continente americano como aliado e não como tutelado”, frisa.

O tenente-coronel aponta ainda para a importância estratégica da entrada do Brasil na guerra. A partir daquele momento, o Nordeste do país passou a ser um dos pontos da rota dos navios e aviões americanos.

“Não se tinha outro meio de chegar à Europa, África e Ásia que não fosse passando pela costa brasileira. Assim, conseguiam alcançar esses locais num tempo mais rápido e, até meados de 1942, os alemães estavam vencendo a batalha do Atlântico. Depois a maré virou a favor dos aliados”.