O fato de se tratar de um monólogo, e de a montagem ser adaptável aos ditos “espaços pequenos”, tem, sem dúvida, servido como um facilitador para que a atriz Rose Brant possa fazer circular, pela capital mineira, a montagem “Acorda, Amor!”, baseado no texto “A Rainha do Rádio”, de José Safiotti Filho. Nesta quinta-feira (2), é a vez de a Casa do Beco, no Aglomerado Santa Lúcia, receber a peça.

“O interessante é que, por ser um trabalho independente, a montagem tem uma dificuldade grande para circular, ser vista, mas, em contrapartida, por todos os lugares que já passamos, e sem exceção, só temos tido respostas positivas. O público fica surpreso e se envolve na trama, que tem uma comicidade picante. É um trabalho que mexe com as pessoas, e, por ser musical, tem toda uma trilha construída”, explica Rose.

A história se passa em 1974, época de ditadura militar – e de uma censura ferrenha aos meios de comunicação e às manifestações artísticas. Em cena, a personagem Adelaide Fontana prepara sua despedida do rádio – após 25 anos de atuação, ela é demitida da emissora Esperança, onde apresentava um programa de poesias. Revoltada e inconformada com a justificativa alegada para sua demissão – queda da audiência e a “morte da poesia”, decide se vingar. “(O monólogo) fala da coragem de romper com o modus da sociedade, ali, em plena ditadura, num período de pura repressão. E de como é esse lugar dessa mulher, naquele momento”.

Rose destaca, ainda, o que chama de uma dramaturgia paralela (“o que é bacana, neste desafio de trabalhar sozinha”), construída a partir de 14 canções. “As músicas se ajustaram às cenas, cada música aborda um assunto”, explica. Entre elas, estão, por exemplo, “Comportamento Geral”, de Gonzaguinha; “Ne Me Quitte Pas”, de Jacques Brel; “Refazenda”, de Gilberto Gil, e “Última Sessão de Música”, de Milton Nascimento.