Foi disponibilizada na semana passada a segunda etapa do “Panorama Setorial da Cultura Brasileira”, grande pesquisa que visa mapear o mercado da cultura sob diferentes ângulos. Enquanto a primeira etapa focou os produtores e patrocinadores, essa segunda levanta dados sobre os consumidores. 
 
Foram entrevistadas 1.620 pessoas de 74 municípios (todos com mais de 100 mil habitantes) de todas as regiões do país. Os questionários foram estruturados com perguntas fechadas, por meio de entrevistas domiciliares que duraram, em média, 60 minutos. As entrevistas foram feitas pelo Ibope entre 11 de outubro e 8 de novembro de 2013 e a margem de confiabilidade é de 95%.
 
“Antes mesmo de irmos para a aplicação da pesquisa, passamos por alguns desafios. Especialmente como fazer um questionário que pudesse ser compreendido em todas as regiões do país”, afirma Gisele Jordão, autora da pesquisa ao lado de Renata Allucci.
 
Boa parte dos dados ocorreram de acordo com o esperado. Mas alguns foram surpreendentes – como a revelação de que 42% dos entrevistados se mostraram não consumidores de atividades artísticas. “Uma das práticas que o brasileiro mais faz coletivamente é ir à igreja. Boa parte é formada por pessoas que só saem de casa para trabalhar e ir à igreja. A prática religiosa já preenche a necessidade de vivenciar a coletividade”, explica Gisele. 
 
Apenas 10% dos entrevistados se revelaram como praticantes culturais – ou seja, aqueles que gostam de consumir vários tipos de atividades. Para Gisele, esse número foi maior do que as autoras da pesquisa imaginavam. “Também nos surpreendeu o número de 15% de consumidores de festas regionais. Um perfil que é ainda mais forte na região Centro-Oeste, onde há muitas festas ligadas ao sertanejo”. 
 
Praticante
 
O perfil do praticante cultural foi delineado como esperado: a escolaridade de seus pais é mais alta e a maior incidência se dá em capitais e regiões metropolitanas.
 
“O consumo de cultura melhora a vida das pessoas. Além do bem-estar que a arte traz, os praticantes têm melhores condições de passar por adversidades. Prova disso são as cidades que sofreram enchentes em 2010. Enquanto São Luís do Paraitinga (famosa por seu festival de música) está reconstruída, há municípios que ainda não se reestruturaram”, diz Gisele.