Eles são jovens e estrearam há pouco tempo no universo da literatura. Mesmo assim, o mineiro Jacques Fux e a gaúcha Luisa Geisler devem deixar o público boquiaberto na edição de amanhã do projeto “Ofício da Palavra”, realizado pelo Museu de Artes e Ofícios. Enquanto ele, aos 37 anos, já atuou como pesquisador na UFMG, Unicamp e Harvard, e venceu o Prêmio São Paulo de Literatura com sua primeira ficção, “Antiterapias” (Scriptum), ela, aos 23 anos, acaba de publicar seu terceiro livro, “Luzes de Emergência se Acenderão Automaticamente” (Alfaguara), depois de ter vencido duas vezes o Prêmio Sesc de Literatura – com “Contos de Mentira” e “Quiçá”.

Fux chama atenção também por sua história com o ofício de escritor. Graduado em Matemática e mestre em Ciências da Computação, sua vida se transformou quando decidiu fazer o doutorado na Faculdade de Letras da UFMG, desenvolvendo a pesquisa “Literatura e Matemática: Jorge Luis Borges, Georges Perec e o OULIPO”. Durante o estudo, se despertou para um talento ainda desconhecido, da escrita ficcional.

“Só senti necessidade de escrever quando vi que tinha algo a falar. No mundo das letras, o meu desejo foi se aflorando e escrevi ‘Antiterapias’. Depois disso, tomei mais gosto por escrever”, diz o escritor belo-horizontino, que já tem dois lançamentos previstos para o início do ano que vem, via editora Rocco. Um deles é um romance em que realidade e ficção mais uma vez se misturam – assim como foi em “Antiterapias”. O outro segue uma linha diferente.

“É um livro infantil para todas as idades, com ilustrações, que convida o leitor a conhecer mais sobre a literatura. O livro propõe perguntas e quem responde são personalidades e personagens da literatura, como Clarice Lispector e Riobaldo”, adianta o escritor, ainda sem nome definido para o projeto.

Já Luisa sabe que sua idade será o assunto mais abordado no “Ofício da Palavra”, a exemplo de outros encontros que tem participado junto ao público. “A minha idade realmente impressiona as pessoas”, afirma a estudante de Relações Internacionais e Ciências Sociais, que só passou a se considerar escritora após vencer o Prêmio Sesc de Literatura – primeiramente na categoria conto, depois com um romance.

“Sempre brinco que não seria escritora se não fosse o prêmio. Se não fosse isso, não teria buscado uma editora e teria uma vida mais ou menos normal. Mas o prêmio me fez perceber que meus livros não eram tão impossíveis assim, que faziam sentido para outras pessoas. Não tinha mais vergonha deles, como teria se tivesse que publicá-los por mim”.

Em seu novo romance, “Luzes de Emergência...”, mais uma vez ela trabalha com um protagonista que se sente deslocado de seu universo. “Nos dois casos, eles sentem uma espécie de não pertencimento. Nesse livro, o personagem mora em Canoas (RS) e possui um sentimento de estranhamento em relação à cidade”.

“Ofício da Palavra” no Museu de Artes e Ofícios (Praça da Estação), amanhã, às 19h30. Entrada franca.