Talvez a maioria das pessoas ainda guarde na memória as performances de “Te Amo”, “Pare o Casamento” ou algum outro grande sucesso da carreira de Wanderléa. Mas em vários momentos de sua trajetória, a cantora mostrou que é muito mais versátil que a Ternurinha da Jovem Guarda e capaz de emprestar sua voz a uma linguagem bem mais desafiadora.

Prova do quão ela está atualizada é o DVD “Maravilhosa”, que chega ao mercado via parceria entre Coqueiro Verde Records e Coleção Canal Brasil. Gravado durante a “Virada Cultural” de São Paulo em 2012 no Theatro Municipal, o show relembra o disco homônimo (lançado em 1972, foi um grande marco em sua carreira), mas de uma maneira totalmente repaginada. Na época, a imprensa paulista qualificou a apresentação como um dos maiores destaques da maratona artística.
 
Mérito de uma cantora que não se acomodou em meio a seu público fidelíssimo e de Thiago Marques Luiz, o produtor que tem atualizado as principais divas da música brasileira.

Versátil

Acompanhada por uma banda bastante versátil, Wanderléa consegue ir do rock mais rasgado – caso das guitarras cheias de pegada em “Back in Bahia”, de Gilberto Gil – ao mais doce samba-choro – caso de “Casaquinho de Tricot” e “Uva de Caminhão”.

O diálogo presente no antigo LP entre as músicas “Telegrama” (Cacao / José Renato) e “Quero Ser uma Locomotiva” (Jorge Mautner) se manteve no show. Não somente o trem une as duas músicas, como também a possibilidade de trabalhar um canto diferenciado e irreverente.

As dançantes composições de Hyldon (“Deixa” e “Vida Maneira”) e a dramática “Mata-me Depressa” também foram relembradas. Mas o DVD conta também com músicas que não fazem parte do álbum de 1972, como “Chuva, Suor e Cerveja” (de Caetano Veloso) e “Pula, Pula” (Jards Macalé e Capinam), ambas gravadas em 1971, e “Ginga de Mandinga” (Jorge Mautner), registrada em 1975.

Se o vestido escolhido favoreceu muito a beleza exuberante de seus 68 anos, a qualidade técnica do DVD deixou um pouco a desejar. Tanto o registro das imagens quanto a edição são pouco criativas e não dão conta de dialogar com o excelente show filmado.

Saiba mais:

Uma época de ruptura

Em 1972, a mineira de Governador Valadares Wanderléa rompeu com a estética da Jovem Guarda ao lançar “...Maravilhosa” pela Polydor.

Gravou músicas de expoentes da contracultura e mostrou que também podia ser ousada. O diálogo com a criativa MPB da época se manteve no álbum “Feito Gente”, de 1975.