"Sem comentários". É como Ingrid Guimarães responde à pergunta sobre o que justifica estar numa peça que ironiza intervenções de estética pessoal, se ela mesma seria um exemplo de quem se beneficiou de métodos desta natureza – aliás, para bem melhor.

Pelos papéis que faz no teatro, na TV e no cinema, Ingrid já dispensa apresentações. Em cartaz no Sesc Palladium, "Razões Para ser Bonita" é o trabalho que traz Ingrid novamente à cidade. Desta vez, ela encabeça o elenco, junto com Marcelo Faria.

Crítico dos lugares comuns, de suposições enxovalhadas sobre beleza e juventude, o canadense Neil LaBute é um dos mais comentados dramaturgos em atividade no mundo. Autor de textos famosos pela abordagem ácida, polêmica.

Prevista para realizar uma sessão apenas neste sábado (19), às 21h30, a produção carioca abriu sessão extra, às 18h30. Após a segunda, o elenco conversa com o público presente, graças ao Projeto Vivo Encena.

Esta montagem respeita o texto tal e qual ou se permite adequações, adaptações?

Permite adaptações (...). O texto é cheio de referências americanas e acho que este tipo de coisa afasta o público da história. A Suzana Garcia fez uma adaptação muito bacana e eu também escrevi algumas partes.

João Fonseca (o diretor) de alguma maneira se inspira na produção da Broadway ou realizou a sua versão, à sua maneira; que caminhos novos se autorizou?

A nossa montagem é totalmente diferente da Broadway, menos formal, mais divertida e moderna. Mais a cara do Brasil.

Um texto como este, falando de obsessões tão atuais, poderia ter sido escrito no Brasil ou a dramaturgia nacional ainda não toca ou toca pouco nestes assuntos?

Poderia sim! Talvez o Brasil seja o país que mais se aproxima desta questão. É só ver a quantidade de plástica que se faz por aqui. Talvez ainda não tenham falado de maneira tão cruel quanto o LaBute. Se Nelson Rodrigues estivesse vivo... (risos)

Em que medida, o público americano e o brasileiro estariam em sintonia sobre padrões de beleza e juventude, segundo um dramaturgo canadense?

Somos campeões em intervenção estética e consumo de produtos de rejuvenescimento. A diferença é que aqui também tem o culto ao corpo, mas as questões da peça são as mesmas. Aliás, são questões do ser humano.

Em alguma medida, a produção não se aproveita de o público brasileiro ter mais interesse por montagens com globais? Um contrassenso, já que LaBute pretende desacomodar lugares-comuns?

Desculpe, mas acho esta questão uma bobagem, quase um preconceito. Sou uma atriz de teatro antes de ser "global". Quanto mais puder aproveitar minha popularidade para trazer as pessoas ao teatro para falar de questões importantes, melhor.


Serviço

"Razões Para Ser Bonita", no Sesc Palladium (rua Rio de Janeiro, 1046, Centro), neste sábado (19), às 18h30 e 21h30. Entradas entre R$ 25 e R$ 100.