Terceiro disco solo de Marina Machado, "Tempo Quente", é um sucesso inegável: proporcionou shows da cantora "no Rio, em São Paulo, pelo interior de Minas, em festa de casamentos; tudo quanto é coisa". Um disco que repercutiu, tocou nas rádios de Norte a Sul, tocou pessoas e ocasionou mensagens de parabéns de desconhecidos, pela internet e pelas redes sociais.
 
Um disco que, a princípio, os fãs receberam com certo estranhamento: o tom cool da voz, a sofisticada economia dos arranjos meio que destoavam da veia intrépida com que Marina abordava o rock e a MPB nas canções que cantara em 18 anos de carreira. 
 
A mesma pegada serena do anterior também está bordada em "Quieto um Pouco", seu quarto disco solo, lançado oficialmente no show que ela e banda realizam no Teatro Bradesco, às 21 horas desta sexta-feira (19). A diferença é que se o anterior foi deliberadamente previsto par ser manso, suave, o de agora resulta de circunstâncias que a cantora não controla. Pelo contrário.
 
Há quase dois anos, Marina é a (extremosa) mãe de Jorge. Mãe que prescindiu do help de uma babá, que amamenta até hoje e não conta as noites em que não prega os olhos, ninando o ânimo madrugador do menino. E além disso, leitores, tem outras coisas: há quatro anos, Marina fixou residência no Vale do Sol, com o marido, o fotógrafo Pedro David. Um lugar sossegado, distante da babel urbanoide. Mas ela desejava um filho, como única (última?) experiência que lhe faltava, depois de "fazer tudo na vida, o que você não imagina".
 
A vinda de Jorge veio definir até sua música, sua carreira. Nos primeiros meses como mãe de primeira viagem, cantou menos, teve menos tempo e energia para isso. Com o tempo, religou a vontade de retomar, de tornar a cuidar da voz e da vocação para a vida de artista. É um ofício espinhoso, você deve saber. "Gosto do meu trabalho, sou feliz por isso, mas é delicado, difícil trabalhar com arte no Brasil". 
 
Em termos mais objetivos, Marina obteve ajuda da lei estadual para gravar o CD de oito faixas. E recorreu a um sistema de financiamento coletivo para produzir o show a capricho. Com o mesmo time de profissionais de gabarito que também ajudou a erguer o show de lançamento de "Tempo Quente": Rodolfo Vaz e Fernanda Vianna, do grupo Galpão. Os R$ 9 mil angariados entre fãs e amigos serviram ainda para cobrir a luz do premiado Bruno Cerezzoli, o figurino de Júlia Braga e o cenário de Joanna Sanglard. Vamos conferir?
 
Mesmos parceiros de estúdio e de ensaios
 
Talvez "fidelidade" seja ainda mais justo que "continuidade", o termo que Marina utiliza para mencionar os parceiros de ensaios e estúdio. É que o baixista Alexandre Boi Mourão e o percussionista Lenis Rino estão de volta em "Quieto um Pouco", inclusive como produtores. Dênio Albertini assina a co-produção. Novatos, Tatá Spalla (ukelele, violões e guitarra) e Ricardo Fiúza (teclados) se juntam ao time. Chico Amaral faz participação especial no sax e Celinha divide os vocais.
 
No show, além das faixas do novo disco, canções dos outros três CDs solos que gravou e menções aos diversos, variados trabalhos (com Tianastácia, Jota Quest, Cia Burlantins, Milton Nascimento e Flávio Henrique) que totalizam seus 24 anos de carreira. 
 
"Vai ser um show de nuances total, no tom original das coisas que já cantei", antecipa Marina, que estudou na Escola Babaya, já esteve roqueira, mas hoje admite haver mudado de registro. E frequentar os tons mais graves, mais baixos do que já é natural o tempo modular. "Era uma guerra com o Flávio abaixar um tom, ele preferia que eu explorasse o soprano lírico", recorda Marina, que achou "uma voz de dentro, gutural" ninando Jorge. E lembrou a voz de veludo do pai, locutor de rádio em Coromandel antes de virar advogado.
 
 
Serviço
 
Marina MAchado lança "Quieto um Pouco" no Teatro Bradesco (rua da Bahia 2244, Lourdes), às 21 horas. Entradas a R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia).