Nada como ouvir um grande artista em pleno momento de relaxamento. Em vez de se preocupar com um álbum de inéditas, Eric Clapton decidiu entrar para o estúdio e gravar suas músicas favoritas junto aos amigos. O resultado é um trabalho ensolarado e agradável, que chega para nós com o título de "Old Sock" ("meia velha"), por meio da Universal.

Das 12 faixas, apenas duas são inéditas, criadas por Nikka Costa com Dyle Bramhall II e Justin Stanley (os dois últimos também são produtores do álbum). "Every Little Thing" é uma balada que caminha para o reggae nos refrões, enquanto a dançante "Gotta Get Over" foi enriquecida pelo vocal da convidada Chaka Khan.

O resto do disco é feito por versões de pequenas pérolas de diferentes gêneros pelos quais Clapton gosta de trafegar, como blues, jazz, country e reggae. A música jamaicana é lembrada em boa parte do álbum, a começar pela primeira faixa, "Further On Down The Road", de Taj Mahal, que participa da faixa tocando banjo e gaita. Há ainda deliciosas versões para "Till Your Well Runs Dry", de Peter Tosh, e "Your One and Only Man", de Otis Redding.

O repertório traz também verdadeiros clássicos da primeira metade do século 20, interpretados pelos maiores nomes da música norte-americana. "All of Me", sucesso do jazz eternizado por Louis Armstrong e Billie Holliday, ganha uma versão roqueira com a participação de Paul McCartney.

"Born to Lose", música de 1943 que ficou famosa na voz de Ray Charles, ganha aqui uma versão puxada para o country. "Goodnight Irene", canção importantíssima para os norte-americanos, composta em 1933 e gravada por nomes como Leadbelly, Johnny Cash e Tom Waits, também está no repertório, com Clapton mantendo a essência country do original. E "The Folks Who Live on the Hill", composta em 1937 e famosa na voz de Nina Simone, mantém o clima jazzístico.

Há ainda espaço para músicas um pouco mais contemporâneas. Clapton fez uma versão bem gostosa para "Still Got the Blues", música do bluesman Gary Moore lançada em 1990, e lembra do trabalho do amigo JJ Cale ao convidá-lo para interpretarem "Angel", música de 1981.

"Old Sock" é um álbum despretensioso, sem arranjos inventivos ou que explorem o virtuosismo de Clapton como instrumentista. Aqui pouco importa a guitarra, mas sim o prazer em tocar versões simples, mas sofisticadas, para um repertório que suscita nostalgia.