Despede-se um Andrada

Manoel Hygino / 20/01/2021 - 06h00

Em 7 de outubro de 2020, Bonifácio Andrada, membro da Academia Mineira de Letras, em que ocupou a Cadeira nº 15, encaminhou aos confrades o volume 75 – Perfil Parlamentar, da Câmara dos Deputados, sob título de “José Bonifácio Líder Parlamentar da Revolução de 1930 e Embaixador do Brasil”, de autoria de Ligia Maria Leite Pereira e Maria Auxiliadora de Faria, cuja obra aqui já aqui se comentou.

Dois meses decorridos, o presidente Rogério Faria Tavares, da AML, cumpria “o doloroso dever de informar o falecimento”, em 5 de janeiro de 2021, do acadêmico Bonifácio Andrada, titular da cadeira cujo patrono é Bernardo Guimarães.

Observa Faria Tavares: “Eleito para a AML em 2001, na sucessão do desembargador Hélio Armond Werneck Côrtes, o saudoso Andradinha foi homem público notável, culto e experiente, professor de talento e competente dirigente universitário, sempre comprometido com as causas da Educação e da Cultura. Integrante de uma das famílias mais importantes da sociedade brasileira, exerceu mandatos parlamentares ao longo de 60 anos, sempre com correção e espírito público. Fará muita falta e deixará lacuna perene na Casa de Alphonsus de Guimaraens”.

Andradinha foi um trabalhador incansável. Nascido em Barbacena, há 90 anos, foi deputado estadual por quatro mandatos, além de atuar em dez legislaturas na Câmara Federal, somando ali 40 anos, pois, de labor parlamentar. Professor e advogado, exerceu a vereança em sua cidade natal. Reitor da Universidade Presidente Antônio Carlos (Unipac), mestre de Direito em universidades, como a de Brasília e na PUC-MG, integrou a Academia Brasileira de Ciências Morais e Políticas e o Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais.

De Andradinha, poder-se-ia dizer o que outro presidente da Academia Mineira de Letras, Murilo Badaró, afirmara do embaixador José Bonifácio, no seu centenário de nascimento, em 1971. Enfatizou que o confrade que recém partiu “herdou dos ancestrais as virtudes cívicas que mais enobrecem o homem”.

 A têmpera dos Andrada moldou-lhe o espírito, mas o seu espírito irrequieto, não se contendo dentro da tradição genealógica, já de si gloriosa, conquistou, por esforço próprio, altitudes que só os grandes conseguem.

Advogado militante, sempre fez do Direito a fortaleza contra a opressão: professor, iluminou, com sua cultura de bondade, os jovens de sua terra; vereador, jamais descurou dos problemas municipais de sua Barbacena; só divulgou o bem e a verdade; deputado federal, destacou-se na luta em prol dos interesses nacionais.

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