Autoridade e autoritarismo, democracia e demagogia nas organizações

Opinião / 27/02/2021 - 06h00

Roberto Rafael Guidugli Filho*

Gerenciar é uma arte, mas também pode ser assimilada como um conjunto de técnicas e métodos que visam buscar resultados. Nessa dicotomia entre a arte e a ciência, o gerente, muitas vezes, se defronta com o tênue limite entre exercer a sua autoridade e ser autoritário. É como se estivesse tentando manter o equilíbrio sobre um fio de arame.

A autoridade é um conjunto explícito de regras que delimita o campo de ação do gerente e que permite que o mesmo atue na busca da eficiência, do fazer mais com menos e da eficácia para obter as respostas esperadas de suas ações gerenciais. Muitas empresas possuem essa autoridade descrita no perfil das funções exercidas por seus colaboradores, propiciando um ambiente equilibrado e produtivo. Outras, no entanto, contam com o bom senso ou deixam correr solto e o caos gerencial se instala. Frases como “não me traga problemas”, “isso não é comigo” ou “cumpro a minha parte e basta” são típicas nessas organizações.

A autoridade depende diretamente do nível de conhecimento do profissional que ocupa o posto de gerência e da clareza de sua posição na pirâmide hierárquica da organização, conforme preconizou sabiamente o escritor e consultor administrativo Peter Drucker. Não há dúvida de que mesmo nas organizações mais descontraídas – hierarquicamente falando –, alguém em algum momento tem que dar a palavra final. Trabalhar com liberdade, autonomia e descontração não exime ninguém de exercer a sua autoridade.

Talvez pela nossa experiência histórica recente, a autoridade é vista como sinônimo de autoritarismo, um equívoco que tem causado muitos prejuízos em todas as áreas. O autoritarismo ao contrário da autoridade está no campo da barbárie, onde não há respeito aos limites do gerenciamento, o que acaba contaminando de modo pernicioso as organizações.

No equilíbrio entre autoridade e autoritarismo, duas personagens participam da contradança: a democracia e a demagogia. A prática de uma gestão democrática nas organizações, não exclui o exercício da autoridade. Em situações democráticas como o trabalho em equipe, são extremamente salutares a troca de ideias e o estímulo à criatividade, mas o gerente precisa e deve decidir, nem que seja pelo voto de minerva. No entanto, quando esse gerente tem a autoridade para decidir e resolve consultar a equipe, temos o exercício danoso da demagogia.
Geralmente, este tipo de profissional é visto como o gerente legal, que busca se dar bem com todos. Entretanto, gerente não é candidato a miss simpatia, ele é responsável por produzir resultados, cumprir metas e isso exige o exercício da autoridade.

Quando o general George S. Patton assumiu o comando do exército americano no norte da África, encontrou uma situação anárquica e no exercício da sua autoridade, restabeleceu a ordem e venceu os nazistas. Na época em que conduzia as tropas na linha de frente das batalhas, o general exercia um nível a mais de sua autoridade, colocando em prática a sua liderança. Esse comportamento contribuiu para que os soldados o admirassem ainda mais.

No entanto, quando um soldado foi esbofeteado na enfermaria, sob a alegação de que estava com medo de ir ao campo de batalha, o general Patton desceu ao lúgubre ambiente do autoritarismo e pagou caro por isso, sendo afastado do comando do exército americano.

A linha entre autoridade, autoritarismo, democracia e demagogia é tênue, mas hoje podemos contar com várias técnicas e métodos para caminharmos de forma equilibrada sobre esse fio de arame. Contudo, esse assunto é para uma outra oportunidade.

*Professor da Faculdade de Administração Milton Campos, mestre em engenharia de produção e especialista em engenharia econômica

 

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