As leis do amor segundo a Constelação Sistêmica

Opinião / 16/02/2021 - 06h00

É comum sentirmos dificuldade no campo interpessoal com filhos, cônjuges, amigos ou no profissional, como se alguma coisa retardasse o desenvolvimento natural. Nesse contexto, a constelação sistêmica – que nada tem a ver com astronomia ou astrologia - é um importante método para romper ciclos de mágoas e questões pendentes.

Considerada uma filosofia contemporânea, a metodologia foi desenvolvida pelo filósofo alemão Bert Hellinger, em 1925.
Em tramitação na Câmara dos Deputados, um Projeto de Lei (PL) de autoria da deputada Erika Kokay (PT-DF) pretende regulamentar a profissão de constelador no país. O texto afirma que a constelação sistêmica tem por finalidade “trazer à luz conexões inconscientes estabelecidas entre o tema tratado – que pode ser um relacionamento, um sintoma, uma organização – e o grupo de origem no qual o indivíduo está inserido”.

E, de fato, a constelação sistêmica expõe aquilo que atua de forma oculta, no inconsciente do cliente e no sistema no qual ele se insere. O modelo de Hellinger pressupõe a necessidade em formular uma questão que deve ser trabalhada no processo de ordem familiar, emocional, relacional, profissional, financeira ou de saúde, por exemplo. Para o diagnóstico e trabalho terapêutico, a constelação se desenvolverá sobre as três ordens do amor identificadas pelo filósofo.

Rejane Gontijo*

A primeira consiste na hierarquia, ou seja, se ocuparmos um lugar que não nos pertence, ocorrem adoecimento e corte no fluxo da energia vital, insucessos que podem se refletir em todas as áreas da vida. Contudo, ao se colocar o sistema em ordem (na alma), a fluidez do processo vital e o sucesso retornam enquanto houver tal manutenção.
A segunda ordem do amor é o equilíbrio do dar e receber, sendo que desequilíbrios nessas esferas geram conflitos, mal estar e até mesmo rompimento das relações. O restabelecimento possibilita a construção de relações saudáveis e duradouras.

Já a terceira ordem, o direito de pertencimento, prevê que os excluídos interferem em gerações futuras e causam desordem, isto é, todos têm direito de pertencer. Neste sentido, honrar as pessoas que tiveram um destino difícil e trazê-las de volta ao sistema liberta as demais gerações de repetirem as mesmas trajetórias difíceis.

Com duração média de três horas, a constelação sistêmica é realizada em sessão única para cada temática trabalhada. As pessoas podem optar para fazer mais de uma sessão sobre a mesma questão. Em tempos de pandemia, é possível contar com sessões de constelações online por meio da utilização de bonecos, nos atendimentos individuais, ou em grupos, em que várias pessoas entram em salas como o Zoom ou Meet.

Quanto aos benefícios da constelação, cabe ressaltar que elas nos conectam ao nosso sistema ancestral, possibilitando identificar emaranhamentos ocultos nas famílias, reconhecer o lugar certo de cada indivíduo dentro do sistema familiar, romper comportamentos e estabelecer mudanças que podem melhorar fisicamente o ambiente e as relações onde se encontra.

*Coronel, psicóloga; consteladora sistêmica (Imensa Vida -2018) e colaboradora da Associação dos Oficiais da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros de Minas Gerais (AOPMBM)

 

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