Gestação segura após os 40

Opinião / 10/02/2021 - 06h00

Marco Melo*

A maternidade após os 40 anos é uma realidade entre brasileiras. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que as gestações entre 35 e 39 anos aumentaram 63,6%, em dez anos, sendo que na faixa etária de 40 a 44 anos de idade, a alta no número de partos foi de 57%, de 45 a 49 anos, 27,2% e, mais de 50 anos de idade, a alta foi de 55%.

Considerando que as mulheres nascem com todos os óvulos para a vida e a idade mais avançada compromete a qualidade deles e torna a gestação mais difícil, os avanços na medicina reprodutiva são importantes aliados no planejamento da maternidade. 

Dos tratamentos disponíveis para auxiliar as mulheres a engravidar tardiamente, dois considerados mais seguros e com maiores chances de sucesso, quando feitos em idade precoce: o congelamento de óvulos ou embriões.

O grande problema da mulher está na redução da fertilidade com a idade, decorrente da diminuição da quantidade e da qualidade dos óvulos. Quando os gametas são colhidos e congelados em uma idade mais baixa – antes dos 37 anos -, apresentarão maior quantidade e melhor qualidade, restringindo a incidência de abortos ou problemas cromossômicos nos bebês, posteriormente. 

Aquelas que já têm companheiro aos 35 anos, mas não desejam engravidar, o congelamento de embriões é recomendado para melhorar as taxas de gravidez. O congelamento de embriões consiste na fertilização dos óvulos com os espermatozoides, congelando para implantação no útero, quando o casal desejar.

Em 2020, o congelamento foi muito procurado com a pandemia e as pessoas inseguras de engravidarem com medo do novo coronavírus, optando por aguardar um momento mais seguro para realizarem a transferência dos embriões e darem início a uma gravidez.

As técnicas de reprodução assistida também são alternativas com destaque para as de alta complexidade, como a Fertilização in Vitro (FIV) e o Estudo Genético Embrionário (PGD). Os processos proporcionam maiores taxas de gravidez para esse grupo específico por causa da idade. Na fertilização in vitro, a ovulação é estimulada com hormônios e os gametas são recolhidos a cada ciclo. Com uma quantidade de oito a dez óvulos é possível fertilizar e transferir os embriões, propiciando uma taxa de gravidez de 40%, quando os embriões estão em boas condições. Uma mulher de 40 anos, por exemplo, tem de 12% a 14% de obter uma gestação espontânea.

Quando o casal tem receio de um bebê com problemas cromossômicos – síndrome de down, por exemplo-, utiliza-se a técnica do PGD, antes de se fazer a transferência, promovendo um estudo genético em cada embrião para transferência somente daqueles sem alterações cromossômicas. Alguns casais optam pela realização do PGD devido à segurança em termos de taxa de abortamento e malformação.

A gravidez após os 40 anos é mais difícil, mas não é impossível e a conscientização em relação às possibilidades auxiliam na realização do sonho da maternidade.

*Especialista em reprodução assistida e sócio-diretor da Clínica Vilara

 

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